AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DO REPORTING DA SUSTENTABILIDADE DO RELATÓRIO DA EMPRESA BRASILEIRA ‘‘NATURA’’, BASEADO NAS ORIENTAÇÕES DO MANUAL DA GRI - GLOBAL REPORTING INICIATIVE
INTRODUÇÃO
“Um relatório de sustentabilidade baseado nas Directrizes da Global Reporting Iniciative divulga os resultados obtidos dentro do período relatado, no contexto dos compromissos, da estratégia e da forma de gestão da organização.”
Deste modo, este trabalho teve como principal objectivo a análise do relatório de sustentabilidade da empresa “Natura Brasil”, do ano de 2006, com base nas directrizes do manual GRI (Global Reporting Iniciative). A Natura foi a primeira empresa brasileira a integrar as directrizes da GRI ao corpo principal do relatório. Por este motivo, esta empresa foi seleccionada para o trabalho, além disso, isso possibilitou uma análise detalhada do desempenho da empresa no âmbito económico, social e ambiental. A empresa, que foi criada em 1969, é actualmente líder no sector de cosméticos brasileiro. Este mérito não deve-se somente pelos resultados económicos e financeiros, mas, principalmente, ganha um grande destaque pela aplicação e difusão das práticas empresariais socialmente responsável e ambientalmente sustentável. No decorrer desta avaliação do reporting da sustentabilidade do relatório da empresa Natura, serão realizadas observações a fim de verificar a qualidade das informações prestadas pela empresa e, por fim, constatar se a Natura realmente tem seguido as directrizes da GRI. As orientações constantes no manual são divididas em duas partes: definição do conteúdo, qualidade e limite do relatório e conteúdo do relatório.
DESENVOLVIMENTO
Orientações sobre as Directrizes da GRI
No manual GRI, as directrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade compreendem os princípios, as orientações e os indicadores de desempenho e todos esses elementos têm o mesmo peso e importância.
Aplicação das Directrizes
O relatório Natura foi impresso e publicado na internet, separado como parte do relatório anual e segue todos os temas contidos no GRI, porém, anteriormente inclui alguns tópicos chave como: razão de ser; crenças e visão. Neste relatório, principais indicadores do GRI foram integrados ao corpo principal do relatório e o mesmo foi dividido em capítulos para o estabelecimento e manutenção de relações de qualidade com todas as partes envolvidas. As informações reportadas foram organizadas com o auxílio do público (colaboradores da operação Brasil), ou seja, por meio de uma verificação externa. A pesquisa referente a esta operação está anexa ao relatório em formato de carta resposta. Não há informações sobre como o GRI foi notificado a respeito deste relatório. Na mensagem da presidência pode-se verificar a avaliação do desempenho da Natura, além de ser apresentado o interesse da mesma por uma melhoria contínua no âmbito da sustentabilidade. Os números dos resultados comentados na mensagem da presidência servem para engajar os stakeholders, além de transmitir a preocupação ambiental da empresa e uma mensagem de optimismo. O relatório pode ser considerado transparente devido a apresentação de todas as informações necessárias aos stakeholders através de temas/tópicos sobre os processos da empresa e devido à forma como os indicadores são apresentados.
Parte 1: Definição de Conteúdo, Qualidade e Limite
Nos tópicos abaixo, serão comentados os princípios e orientações utilizadas pela empresa para a elaboração do relatório no que se refere ao conteúdo, qualidade das informações e estabelecimento do limite do relatório.
1.1. Definição de Conteúdo do Relatório
Pode-se afirmar que o conteúdo do relatório de sustentabilidade da Natura é adequado pois envolve temas de extrema importância para os stakeholders, no que diz respeito à marca; aos produtos; à gestão responsável; à gestão de risco; à governança corporativa; à estrutura accionaria; remuneração dos accionistas; relação com os investidores; principais acontecimentos da empresa, prémios e reconhecimentos; além dos principais indicadores. Sem mencionar a qualidade das relações; as estratégias e desafios; as demonstrações financeiras e o compromisso Global Compact. Ademais, os indicadores são expostos de forma clara e pontual, apresentando comparações anuais no que se refere ao desempenho da empresa, além de ser abrangente. Cabe ressaltar que, no relatório, são apresentados apenas os indicadores ditos essenciais. Quanto à materialidade do relatório, todos os temas são abordados com base no interesse dos stakeholders, no que diz respeito aos impactos económicos, ambientais e sociais da organização. A materialidade em relatórios de sustentabilidade vai além dos interesses financeiros, os temas abrangidos envolvem factores internos e externos da organização, levando em consideração a gestão activa e o comprometimento da mesma. Nota-se, ainda, que em cada tópico do relatório há uma síntese do desempenho da empresa como, por exemplo, no tema sobre produtos, é feito um resumo de todos os novos produtos lançados no período abrangido pelo relatório. Há, também, um tema incluído de grande relevância que diz respeito à inovação, referindo-se à pesquisa de alternativas para o desenvolvimento de produtos mais sustentáveis. Há também um quadro que envolve a questão dos testes em animais. O relatório inclui desafios, objectivos e metas (alcançados e almejados), além de comentar sobre a posição da marca e a forma com ela é vista e sobre os factores externos incontroláveis. Também são apresentados os principais valores da organização dentro dos diversos tópicos já citados como razão de ser; visão; crenças e perfil da organização. A gestão responsável é relatada sob uma perspectiva comprometida e ambientalmente preocupada. Há uma série de processos, ações e estratégias que foram adoptadas visando uma gestão ambiental mais eficaz. Percebe-se também que o comprometimento com as leis e regulamentos é visto de maneira clara no relatório. As ações realizadas visando benefícios para os colaboradores, consultores, fornecedores e comunidade são apresentados em números e em comparação com os anos anteriores. Os aspectos relacionados à governança corporativa são apresentados de maneira abrangente porém sintética. Cada responsável é nomeado no relatório. Com relação aos riscos, não há um tópico pontual e exclusivo sobre estes, porém são apresentados dentro do tema “gestão de riscos”. Para cada risco há uma alternativa para minimizá-lo ou saná-lo. Inclusive, há um comité destinado especialmente para este fim. As competências essenciais da Natura e a maneira como esta contribui para o desenvolvimento sustentável são percebidas ao longo de todo o relatório. Considerou-se também todos os temas e indicadores de relevância no relatório, sendo comprovada a conveniência dos assuntos dentro do âmbito de sustentabilidade. No que tange a inclusão dos stakeholders, estes são referidos de maneira enfática. Há tópicos sobre accionistas, investidores, colaboradores, consumidores, comunidade de entorno, dentre outros. Seus interesses e expectativas apontam o caminho do relatório, visto que o mesmo é elaborado para eles. Também é realizada uma prestação de contas aos stakeholders, no entanto, verifica-se que, no caso dos investidores, as informações são fornecidas de forma mais completa, o que pode ser justificado pelo fato de estes serem os que fazem maior uso do relatório. Em princípio, consideram-se as informações relatadas suficientes para satisfazer as dúvidas dos stakeholders, além de cada informação considerada relevante possui um tópico especial para seu melhor engajamento. Os objectivos, metas e processos são comentados através de dados e gráficos. Além disso, há explicações do “por quê”, como e quando estes processos foram desenvolvidos. São relatados factores relacionados à qualidade das relações da organização com os stakeholders, com base em seus relatos e nos dados sobre os processos relacionados a estes. Há também, quadros comparativos das relações através dos anos e a apresentação dos principais investimentos relacionados a eles. Ademais, há uma justificativa sobre a importância de cada stakeholder, e uma apresentação dos compromissos e metas a serem atingidos em relação a estes. Como por exemplo, com relação aos funcionários, são comentados os benefícios que tangem a qualidade de vida destes. Já no que se refere aos consumidores, são avaliados expectativas e metas no sentido de uma melhoria na comunicação. Com respeito aos fornecedores, o relatório aborda a preocupação da organização com relação à actuação destes. Já a comunidade de entorno é comentada no que tange a compensação dos impactos socioambientais causados a elas. O governo e a sociedade também são abordados no relatório no que tange a questão da ética. Com relação ao meio ambiente, o relatório evidencia a responsabilidade da organização com respeito às gerações futuras, à educação ambiental e ao gerenciamento do ciclo de vida de produtos, serviços, insumos e resíduos. Além disso, aborda as estratégias e as normas e estratégias que são utilizadas como parâmetro para as atividades da organização e os impactos gerados pela mesma. A questão da biodiversidade também é tratada no relatório. Outros factores relevantes: O relatório é abrangente e pontual pois envolve os principais pontos-chave e resultados de forma precisa no que diz respeito ao interesse do stakeholders, permitindo uma clara avaliação do desempenho da organização. Logo, o mesmo é completamente pautado na sustentabilidade, todos os tópicos e temas abordam a questão e apresentam dados concretos dentro do contexto inserido. Ademais, são apontados compromissos e metas futuras, reafirmando sua crescente preocupação e compromisso com a sustentabilidade. Os dados são colocados de forma sucinta e objectiva, reflectindo o compromisso com a sustentabilidade e mostrando como a empresa vê seu sucesso directamente relacionado às sua postura sustentável. Além de envolver todas as partes afectadas pelas actividades da empresa, o relatório divulga o desempenho financeiro da mesma por meio da apresentação do balanço patrimonial. Todas as informações são mostradas de acordo com período abrangido pelo relatório e, quando há comparações, levando-se em consideração os anos interiores. A transparência do relatório pode ser comprovada também devido à forma como este apresenta os eventos e impactos das atividades da organização. Temas como impacto ambiental do produto, gases do efeito estufa, uso da água e efluentes, energia e resíduos são abordados de forma a mostrar a situação de cada um e seu nível de abrangência. Além disso, o relatório mostra soluções sustentáveis para cada aspecto ambiental.
1.2. Princípios para Assegurar a Qualidade do Relatório
Quanto à segurança da qualidade do relatório, pode-se dizer que o mesmo é equilibrado, pois envolve tanto os aspectos positivos quanto os aspectos negativos da organização. Além disso, acredita-se que não há omissão de informações visto que no relatório constam as metas não atingidas. No que tange a comparabilidade, pode-se dizer que esta é evidente pois há, ao longo do relatório, diversas tabelas com dados e resultados em forma de comparação com os anos anteriores. Cabe ressaltar que estas tabelas são sucintas e claras. Com relação à exactidão, pode-se dizer que o relatório é bem estruturado, englobando todos os aspectos relevantes de forma objectiva e clara. Além disso pode-se verificar que a maior parte dos dados possui fontes confiáveis ou uma boa explicação sobre a forma como estes dados/ valores foram trabalhados para serem incluídos no relatório. Até o ano de 2006, o relatório foi publicado anualmente, no entanto desde o último relatório em 2006 não é possível encontrar os seguintes relatórios no site da Natura, na secção direccionada ao relacionamento com os investidores. Isto pode ser caracterizado como a maior falha existente nesta análise, pois os relatórios devem ser de fácil acesso e, neste caso, a empresa pecou em não disponibilizar os relatórios seguintes no site oficial da Natura. Não se sabe as causas desta falha, mas sabe-se que os relatórios continuam a ser publicados, porém estão disponibilizados em meios de comunicação alternativos da empresa. Contudo, as informações existentes no relatório de 2006 estão adequadas à época do relatório. A clareza do relatório é evidente, o mesmo reúne informações relevantes de forma objectiva. A quantidade de informações é ideal, sem detalhes desnecessários, apenas o que é importante é focado. Além disso, nota-se um esforço em destacar para os stakeholders alguns pontos-chave como, por exemplo, as informações nas caixas com as metas e compromissos da empresa. O vocabulário também é de fácil compreensão. No que se refere à confiabilidade das informações, como já foi mencionado, diversos dados são oriundos de fontes de confiança e com devida identificação. Este relatório de Sustentabilidade esteve entre os 50 melhores do mundo, de acordo com a SustainAbility. Há, ainda, uma declaração de uma equipe de auditores independentes atestando a credibilidade das informações prestadas sobre as demonstrações financeiras.
1.3. Orientações para o Estabelecimento do Limite do Relatório
No que tange o limite do relatório, cabe dizer que o mesmo divide as informações que são entendidas como prestações de contas às entidades envolvidas, o que é correcto, pois cada uma tem uma relação específica com a organização. Estas entidades são incluídas também por meio dos indicadores especiais. As informações prestadas são consideradas pertinentes.
Parte 2: Conteúdo do Relatório
Esta secção especifica o conteúdo básico que deverá constar em um relatório de sustentabilidade, sujeito às orientações para a determinação de conteúdo na Parte 1 das directrizes.
2.1. Estratégia e análise
Além da ‘Mensagem da Presidência’ no relatório, há um tópico chamado ‘Gestão Responsável’ que pode ser considerado como um discurso sobre a importância da sustentabilidade para a organização. Nela são comentadas ações e resultados da empresa no âmbito da sustentabilidade. As prioridades estratégicas, os temas fundamentais e as metas são encontradas ao longo do relatório e não em um lugar específico. Cabe ressaltar que há o tópico ‘estratégias e desafios’ que pode ser levado em consideração neste quesito, mas de uma forma geral, pode-se dizer que as questões relacionadas às metas e temas fundamentais são melhor visualizadas de acordo com o tópico apresentado. Quanto às tendências e às perspectivas da empresa sobre os principais desafios e metas, estas estão ‘pinceladas’ na mensagem da presidência, mas aparecem melhor nos tópicos ‘principais acontecimentos’ e ‘estratégias e desafios’. Contudo, estas questões também se desenvolvem ao longo do relatório. Os acontecimentos importantes do período abrangido pelo relatório têm um tópico especial: ‘Principais Acontecimentos’. Nele são apresentados os acontecimentos de maior importância e visibilidade da organização no período reportado, tanto positivos quanto negativos. A visão sobre o desempenho da organização com relação às metas é vista na mensagem da presidência e, principalmente, no tópico ‘resultados’. Já a descrição sobre os principais impactos, riscos e oportunidades é uma constante dentro dos tópicos do relatório, porém é feita livremente de acordo com o tema em questão. Há algumas secções que trabalham melhor estes assuntos, mas não há um tópico pontual para cada um deles. Quanto à descrição dos mecanismos de governança adoptados para controlar os riscos e oportunidades, há o tópico ‘Gestão de Riscos’ onde se fala do Comité de Gestão de Riscos da Natura.
2.2. Perfil Organizacional
No que se refere à apresentação do perfil organizacional no relatório, pode-se dizer que todos os requisitos exigidos pelo GRI foram cumpridos. Informações sobre localização, produtos, marca, estrutura operacional, países de operação, natureza jurídica, mercados atendidos, número de empregados, vendas líquidas, património, quantidade de produtos e serviços, principais mudanças e prémios recebidos podem ser facilmente encontrados nos tópicos ‘Perfil’, ‘Produtos e Conceitos’, ‘Governança Corporativa, ‘Principais Acontecimentos’ e ‘Prémios e Reconhecimentos’.
2.3. Parâmetros
Sobre os parâmetros, pode-se dizer que o perfil do relatório está adequado. Nele consta o período coberto, a data do relatório anterior, o ciclo de emissão e os dados para contacto em caso de perguntas. Quanto ao escopo e ao limite, a definição do conteúdo esteve adequada, houve a menção das orientações para a elaboração do relatório, o limite foi pontuado, houve a declaração das limitações específicas quanto ao limite do relatório (por exemplo, foram detalhados apenas os principais indicadores, mas há a apresentação de um quadro indicando onde os outros indicadores podem ser encontrados), as organizações que podem afectar seu desempenho também foram descritas, bem como as técnicas de medição de dados e as mudanças significativas em comparação com os outros anos. O sumário do relatório está organizado de acordo com as directrizes do GRI, porém alguns tópicos estão descritos com nomenclaturas que vão de acordo com as atividades da empresa, mas abrangendo aos requisitos pedidos pelas directrizes. Quanto à verificação, como já foi mencionado, uma equipe de auditores independentes fez uma declaração atestando a credibilidade das informações prestadas sobre o balanço patrimonial. Esta declaração está no relatório.
2.4. Governança, compromissos e engajamento
Já no que diz respeito à governança, pode-se dizer que praticamente todos os requisitos foram abordados, desde a descrição da estrutura de governança da organização até as declarações da missão e valores. É valido comentar sobre o requisito relacionado à remuneração dos membros da governança, da directoria executiva e demais executivos que é informado no todo, nas demonstrações financeiras, e não de forma específica. Quanto aos compromissos com iniciativas externas, também pode-se dizer que estes são abrangidos no corpo do relatório, principalmente na secção sobre ‘Diferenciais Competitivos’, sobretudo na parte sobre ‘Gestão Responsável’. Com referência ao engajamento dos stakeholders, pode-se dizer que estes são integrados ao relatório, tanto no que se refere ao processo de engajamento até a relação dos mesmos com a organização.
2.5. Forma de Gestão e Indicadores de Desempenho
Por fim, com respeito à forma de gestão e indicadores de desempenho, pode-se considerar que os mesmos estão adequados de acordo com o GRI. Há indicadores de práticas trabalhistas, direitos humanos, sociedade e responsabilidade pelo produto. Além disso, há uma série de outros indicadores pertinentes relacionados ao desempenho económico, ambiental e social. Apenas os principais indicadores estão explicados no tópico especial direccionado a estes, porém, no índice remissivo há a indicação sobre onde encontrar as informações completas a respeito dos mesmos.
CONCLUSÃO
Como conclusão, pode-se afirmar que o relatório de sustentabilidade da empresa Natura segue praticamente todas as directrizes do manual de directrizes GRI. Pode-se observar que a empresa realmente teve uma grande preocupação em cumprir com as orientações do GRI. O Natura incluiu quase todas as colocações do GRI em seu relatório e fez isto de acordo com seu estilo de reporting. Em outras palavras, os pontos de interesse foram ‘encaixados’ ao longo do mesmo, fazendo com que este não tivesse um aspecto padronizado, ou seja, de acordo com o manual de directrizes do GRI. Deste modo, pode-se dizer que o relato da empresa não foi prestado de forma a seguir ‘cegamente’ as instruções do manual, mas organizado de maneira harmónica. Os stakeholders podem desfrutar de uma agradável leitura que o conduzirá à descoberta dos sucessos e dificuldades da empresa. Todas as informações que os stakeholders necessitam podem ser facilmente encontradas no relatório, que se apresenta de forma responsável. Aspectos positivos e negativos, pontos altos e baixos, aspirações, preocupações, anseios, metas, despesas, investimentos e planos podem ser encontrados em forma de texto, números, tabelas e depoimentos. Por fim, cabe mencionar que poucos foram os pontos do relatório que ‘deixaram a desejar’ com relação ao manual. Comparado à fidelidade encontrada neste, os deslizes não se constituem em algo ‘degradante’. Obviamente, estes não poderiam ser deixados de lado, mas como é sabido, o GRI fornece orientações e o manual dá apenas as directrizes a serem seguidas. Sendo assim, de forma geral, pode-se dizer que o relatório foi feito adequadamente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
NATURA COSMÉTICOS. Natura e a Sustentabilidade. Disponível em: __www.natura.net__
Elaboração de Questionário de Pré-Auditoriapara a Lamartine Laboratório de Análises Clínicas
A Auditoria é um processo sistemático, independente e documentado para obter evidências de auditoriae respectiva avaliação objetiva com o intuito de determinar em que medida os critérios de auditoriasão satisfeitos. Este processo é o conjunto de ações realizadas de acordo com um plano pré-definido para garantir que as atividades da gestão do sistema e o desempenho da organização sejam realizadas e mantidas a um nível apropriado.
Por sua vez, a Pré-Auditoria tem como objetivo analisar criticamente a adequação do Sistema de Gestão. Isto significa que os procedimentos e documentação serão verificados em relação à sua adequação em relação à norma de referência para que ao final da mesma, a empresa receba um relatório contendo todos os itens que devem ser corrigidos antes da Auditoria de Certificação.
O Questionário de Pré-Auditoria, basicamente, conduz todo o processo de Auditoria. Por meio da análise do questionário, o auditor prepara todo o seu plano de atividades, tendo como base a certificação solicitada. Em outras palavras, ele define a direção do processo, pois com base nas respostas da organização auditada, ele consegue traçar o plano e o programa de Auditoria da empresa até chegar ao resultado final, que é o parecer.
Neste sentido, o presente trabalho propõe-se a elaborar um questionário de pré-auditoria para a Lamartine, que é um laboratório de análises clínicas certificado pela Norma NP EN ISSO 9001:2000 e pelas Normas do Laboratório Clínico da Ordem dos Farmacêuticos. Deste modo, o seguinte questionário irá abranger questões relacionadas à ambas as normas. QUESTIONÁRIO DE PRÉ-AUDITORIA PARA CERTIFICAÇÃO DE SGA
TIPO
(…) Concessão (…) Extensão (…) Alterações
NORMAS DE REFERÊNCIA
· NP EN ISO 9001:2000 · Normas para o Laboratório Clínico
3. PROCESSO (S) Nº:…………………………………………………………………
4. DADOS GERAIS
4.1. Identificação da Organização e Contatos
· Denominação da Organização:………………….…..……………………….. · Sede:…………………………………………………………………………… · Distrito:………………………………………………………………………… · Fone/ Fax:..…………………………………………………………………… · E-mail:…………………………………………………………………………. · Caracterização Jurídica:……………………………………………………… · Capital Social:………………………………………………………………… · Número de Contribuinte:………..…………………………………………….. · CAE (Principal e Secundário):…………………………..……………………. · NACE:…………………………………………………………………………
· Presidente:…………………………………………………………………… · Diretor Geral:………………………………………………………………… · Contato:………….…………………………………………………………….. · Função:………………………………………………………………………... · Fone/ Fax e E-mail:…………………………………………………………… · Elemento de contacto para efeito de facturação:…………………...…………
4.2. Informação Adicional
4.2.1. Recursos Humanos
· Número de colaboradores da organização:………….………………………… · Número de colaboradores envolvidos com a certificação:.................................. · Horário de trabalho…………………………………………………………… · Número de turnos:………………………………………………………………
4.2.2. Características específicas
· A organização pertence a algum Grupo Empresarial?
………………………………………………………………………..................
· Nesse Grupo Empresarial existem entidades certificadas?
…………………………………………………………………………………
· Por quais certificações? …………………………………………………………………………………
· Quais são os fatores críticos para o sucesso da organização ou quais são os principais objetivos para os próximos anos?
…………………….……………………………………………………………
· Quais são os processos chave da organização?
…………………………………………………………………………………
· Identifique que serviços / produtos estão abrangidos pelo âmbito da certificação solicitada. …………………………………………………………………………………
· Controle Metrológico e Laboratorial
o Possui laboratório próprio?
………………………...............
o Recorre a laboratórios externos? ………………………………...
· Há outros locais, distintos da sede, abrangidos pelo(s) âmbito(s) da certificação? Identifique.
…………………………………………………………………………………
· A entidade recorre a subcontratação associada para a realização dos processos contemplados no(s) âmbito(s) de certificação? Identifique.
…………………………………………………………………………………
· A instrução do presente processo de certificação visa entre outros aspectos avaliar a necessidade de efetuar uma visita prévia. A entidade tem interesse na sua realização?
…………………………………………………………………………………
· Outras informações consideradas relevantes para o processo de certificação:
…………………………………………………………………………………
4.2.2. Questões de caráter voluntário
· Por que optou pela implementação de um Sistema de Gestão? …………………………………………………………………………………………… · Por que optou pela Certificação?
…………………………………………………………………………………
4.3. Sistemas de garantia / gestão da qualidade para NP EN ISO 9001:2000
· A entidade considerou, de acordo com o definido no referencial normativo, alguns requisitos não aplicáveis? Quais?
…………………………………………………………………………………
· Indique quais os requisitos legais e/ou regulamentares aplicáveis aos produtos / serviços contemplados no âmbito da certificação.
…………………………………………………………………………………
4.3.2. Opções de Acreditação
· Indique quais são as suas opções para a Acreditação da Certificação (IPQ, ENAC ou ambas).
……………………………………………………………………………………
4.4. Manual de Objetivos da Qualidade em Farmácia
4.4.1. Numeração do manual de objetivos da qualidade em farmácia
· Manual no………………………………………………………………………………
4.5. Normas para o Laboratório Clínico
4.5.1. Numeração normas para o laboratório
· No……………………………………………………………………………….
5. VALIDAÇÃO PELA ENTIDADE
A validação do presente questionário e a apresentação do pedido de certificação pressupõe: · A validação do Questionário; · O cumprimento, por parte da entidade, da legislação e/ou regulamentação aplicável; · Sistemas de gestão implementados na totalidade há, pelo menos, 3 meses e a existência de registos que evidenciem a adequabilidade e operacionalidade dos mesmos; · A realização de auditorias internas a todos os processos e locais de atividade abrangidos pelo âmbito de certificação e a realização de, pelo menos, uma Revisão pela Gestão, antes da auditoria de concessão para cada Sistema de Gestão; · A comunicação das alterações relevantes nos Sistemas de Gestão, alterações significativas aos processos e produtos, mudança dos principais responsáveis, interrupções prolongadas de produção, alterações significativas do nº de colaboradores, entre outras que impliquem a atualização deste questionário.
De acordo com a norma ISO 14.001 (2004), o EMAS (Eco-Management and Audit Scheme) “é um mecanismo voluntário destinado à empresas e organizações que querem comprometer-se a avaliar, gerir e melhorar o seu desempenho ambiental, possibilitando evidenciar, perante terceiros e de acordo com os respectivos referenciais, a credibilidade do seu sistema de gestão ambiental e do seu desempenho ambiental”. Assim, o estabelecimento do EMAS visa avaliar e melhorar o desempenho ambiental de uma empresa e, ainda, fornecer informação às partes interessadas.
O EMAS foi estabelecido pelo Regulamento (CEE) nº 1836/93, de 29 de Junho, que definia as responsabilidades dos Estados-membros na criação das estruturas de base do EMAS, as condições de funcionamento e operacionalidade dessas estruturas, bem como os requisitos de adesão a este sistema. O acesso às organizações registradas no EMAS e às respectivas Declarações Ambientais se constitui em uma forma de assegurar a transparência perante o compromisso ambiental assumido. A validade de uma Declaração Ambiental é de três anos, podendo ter duas atualizações, período a que se segue a renovação do registo. Neste sentido, o presente trabalho propõe-se a realizar uma análise do SGA da Renova - Fábrica de Papel do Almonda S.A. buscando relatar as características da organização, os principais aspectos ambientais, as principais metas ambientais, os indicadores de desempenho considerados fundamentais para avaliar a melhoria contínua nesta organização e os benefícios para a mesma com a certificação do SGA adicionais a uma certificação.
1. Características da organização
A Renova – Fábrica de Papel do Almonda S.A. é uma empresa portuguesa de capital privado (com 100% detido pelo Grupo Almonda SGPS) e atua na produção e comercialização de produtos de consumo com base em papel tissue. A empresa foi fundada em 1939, com sede em Renova (no conselho de Torres Novas), possuindo duas unidades industriais (uma situada na nascente do rio Almonda e a outra a dois quilômetros de distância deste local). Sua localização está diretamente ligada à sua história visto que, em sua atividade, a empresa utiliza a nascente do rio Almonda como fonte de água necessária para as operações requeridas pela produção de papel.
Por meio de seus produtos, a Renova espera levar aos consumidores o bem-estar, sempre fazendo uso de soluções inovadoras e diferentes. Os processos industriais refletem esta vontade através da flexibilidade, da necessidade de efetuar mudanças de produção rápidas e da constante experimentação na busca dessas soluções. Contudo, estes processos acabam resultando em perdas de eficiência que, são minimizadas pela especialização dos colaboradores que reconhecem estas mudanças como essenciais para a sobrevivência da empresa. A partir de então é possível apresentar uma boa performance ambiental associada à competitividade de seus produtos.
1.1. Política Ambiental
A eco-política da Renova se resume no desejo de, como organização, participar na proteção do Ambiente Global. Deste modo, em suas atividades, Renova se propõe a:
Proteger o sistema ecológico e usar os recursos naturais e a energia cuidadosamente;
Promover novos desenvolvimentos tecnológicos e aplicações que não gerem um impacto negativo no ambiente;
Desenvolver a consciência da protecção do ambiente em cada membro da empresa; e
Fortalecer a interação com os cidadãos e com a comunidade.
1.2. Sistema de Gestão Ambiental
O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) da Renova garante a implementação das medidas de proteção do ambiente de acordo com os compromissos que resultam de sua política ambiental. No âmbito do SGA são feitas contínuas avaliações dos impactos ambientais resultantes das atividades da empresa e, a partir destas avaliações, são definidos os objetivos ambientais que são concretizados nos programas de melhoria. O SGA da Renova é avaliado periodicamente por auditores internos e externos conforme as normas ISO 14001/EMAS, a Política Ambiental da empresa e os restantes documentos relevantes. A gestão ambiental da empresa pretende interagir e participar em todos os níveis da organização. Por isso, existem diferentes formas e ferramentas para "interferir" com a gestão e as mesmas estão relacionadas à otimização do processo de comunicação, à disponibilização eficaz de informações e à facilitação do debate de críticas, opiniões e sugestões. Ademais, a "interferência" na gestão ambiental da Renova também vem do exterior: além de reuniões com entidades locais sobre o dia-a-dia da empresa dentro da comunidade, há, ainda, parcerias com instituições/universidades no intuito de ligá-los à inovação e otimização de processos.
2. Principais aspectos ambientais da organização
Os Aspectos Ambientais (AA) são os elementos das atividades, produtos e/ou serviços da empresa que podem provocar modificações no ambiente. Estes aspectos podem ser diretos (aqueles que a empresa pode controlar), ou indiretos (aqueles que a empresa não tem controle, podendo apenas influenciar). Ademais, estes aspectos podem ou não ser significativos de acordo com:
O seu nível de severidade, probabilidade de ocorrência e capacidade de detecção;
A abrangência legal;
A abrangência da Política Ambiental da Renova.
Deste modo, os aspectos ambientais significativos oriundos das atividades, produtos e serviços da empresa são:
Diretos
Consumo de água
Consumo de energia
Consumo de pasta virgem
Consumo de papel velho
Consumo matérias subsidiárias
Efluentes líquidos
Emissões atmosféricas
Ruído ambiental
Produção de resíduos
Produto final
Indiretos
Emissões atmosféricas
Produção de resíduos
3. Principais metas ambientais
Para minimização do impacto de cada aspecto significativo podem ser estabelecidos diversos tipos de gestão, tais como: a implementação de programas de melhoria com objetivos bem definidos, o estabelecimento de procedimentos de monitorização e atuação e formação profissional. São estabelecidos objetivos e metas que são definidos em um Programa Ambiental, que clarifica a estratégia que a organização irá seguir na implementação do SGA.
3.1. Metas de 2007
Adequação ao Regulamento IPPC (International Plant Protection Convention) Aspecto Ambiental: Efluente Líquido / Emissões Gasosas / Resíduos. Meta: Obter a licença ambiental. Resultado: As licenças ambientais foram emitidas para as duas instalações fabris pela APA (Agência Portuguesa do Ambiente) e correspondente comunicação pela DRELVT (Direção Regional da Economia - Lisboa e Vale do Tejo), no papel de entidade coordenadora do licenciamento. Início: Abril de 2007. Fim: Dezembro de 2007. Status: Concluído.
Renovagreen Aspecto Ambiental: Sensibilização Ambiental / Interação com os cidadãos. Meta: Colocar no mercado, no 2º semestre de 2007, 100.000 unidades de venda ao consumidor da marca Renovagreen. Resultado: A Renova colocou no mercado, no 2º semestre de 2007, quase 1 milhão de unidades de venda ao público e as vendas foram quase quatro vezes superiores ao 1º semestre. Ademais, obteve-se da autoridade competente nacional a atribuição do rótulo ecológico comunitário europeu para toda a linha de produtos Renovagreen. Início: Julho de 2006 Fim: Dezembro de 2007 Status: Concluído.
Cogeração Aspecto Ambiental: Consumo de energia / Emissões gasosas Meta: Evitar a emissão de 4.700 toneladas de Cofano no país através da instalação da unidade de co-geração até Dezembro 2008. Resultado: Baseado nos resultados da etapa de engenharia básica (onde foram definidos os principais equipamentos e fluxos) foi decidido o layout e dimensionamento do sistema. Também foram realizadas as encomendas, verificando-se em detalhe, com os diferentes fornecedores, a lista de produtos, tempos de entrega, montagem e comissionamento. Por fim, foi definida a filosofia de controle e elaborada a engenharia de detalhe. Início: Setembro de 2006 Fim: Dezembro de 2008 Status: Não divulgado
Upgrade MP4 Aspecto Ambiental: Consumo de água Meta: Reduzir o consumo de água desta máquina de 61 m3/ton para 50 m3/ton até Dezembro de 2007. Resultado: Foi realizado o estudo, adquirido o equipamento elétrico e de controle necessário e a efetuada a caracterização do funcionamento dos equipamentos produtivos. Devido à necessidades de produção a paragem da máquina não foi realizada em 2007, ficando prevista para o 1º quadrimestre de 2008. Início: Março de 2007 Fim: Dezembro de 2008 Status: Não divulgado
Prensas da MP5 Aspecto Ambiental: Consumo de energia Meta: Reduzir o consumo de gás natural de 119,2 m3/ton para 100 m3/ton e reduzir o consumo de vapor de 1.645 kg/ton para 1400 kg/ton. Resultado: Propostas foram solicitadas a diferentes fornecedores de equipamento e comparadas entre si com base em diversos fatores. A melhor proposta foi selecionada e a o início da instalação do equipamento foi previsto para 2007. Início: Abril de 2007 Fim: Dezembro de 2008 Status: Não divulgado
3.2. Metas para 2008
Gestão de Resíduos Aspecto Ambiental: Resíduos Meta: Cumprir a Licença Ambiental. Início: Abril de 2008 Fim: Dezembro de 2008 Status: Não divulgado
Renovagreen A4 Aspecto Ambiental: Sensibilização Ambiental / Interação com os cidadãos. Meta: Colocadar à venda no mercado 150 resmas. Início: Outubro de 2007 Fim: Julho de 2009 Status: Não divulgado
Valorização de Resíduos Aspecto Ambiental: Resíduos. Meta: Encontrar alternativas para a valorização das lamas das etar's da empresa. Início: Abril de 2008 Fim: Dezembro de 2009 Status: Não divulgado
Redução do Consumo de Água Fresca da Fábrica 1 Aspecto Ambiental: Consumo de água. Meta: Reduzir o consumo de água fresca da Fábrica 1 de 60 m3/ton para 55 m3/ton. Início: Abril 2008 Fim: Dezembro 2009 Status: Não divulgado
4. Indicadores de desempenho considerados fundamentais para avaliar a melhoria contínua nesta organização
De acordo com Melo (2006), os indicadores de desempenho ambiental são utilizados para demonstrar as práticas organizacionais no sentido de minimizar os impactos ao meio ambiente decorrentes de suas atividades. Deste modo, realizou-se uma listagem dos indicadores de monitoramento e avaliação da melhoria contínua da Renova, segundo sua Declaração Ambiental 2007.
4.1. Matérias-primas
Toneladas de pasta virgem utilizadas por ano
Toneladas de papel velho utilizados por ano
Toneladas de material orgânico utilizados por ano
4.2. Consumo de água
M3/Tonelada de água consumida por ano
4.3. Consumo de energia
GJ/Tonelada de gás natural consumido por ano
GJ/Tonelada de energia elétrica consumida por ano
Total de energia consumida por ano
4.4. Emissões gasosas
Kg/Tonelada de CO1 gerado por ano
Kg/Tonelada de partículas geradas por ano
Kg/Tonelada de NOx2 gerados por ano
Kg/Tonelada de COV3 gerados por ano
Kg/Tonelada de CO24 gerado por ano
4.5. Efluentes líquidos
M3/Tonelada de caudal gerado por ano
M3/Tonelada de SST5 gerado por ano
M3/Tonelada de CQO6 gerada por ano
M3/Tonelada de CBO57 gerada por ano
4.6. Ruído ambiental
dB de ruído por ano
4.7. Resíduos
Kg/Tonelada de resíduos reciclados por ano
Kg/Tonelada de resíduos depositados em aterro por ano
Kg/Tonelada de resíduos perigosos gerados por ano
Kg/Tonelada total de resíduos gerados por ano
4.8. Produção
Tonelada de papel tissue produzido por ano
Tonelada de papel de impressão, escrita e embalagem produzido por ano
Tonelada de pasta reciclada produzido por ano
5. Benefícios para a organização com a certificação do SGA adicionais a uma certificação pela Norma ISO 14001: 2004.
De acordo com North apud Cagnin (2000), os benefícios do SGA podem ser divididos em: econômicos e estratégicos. Os econômicos dizem respeito à redução do consumo de água, energia e outros insumos; à reciclagem, venda e aproveitamento e resíduos e diminuição de efluentes; ao aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da poluição, dentre outros. Já os estratégicos se referem à melhoria da imagem institucional; à renovação da carteira de produtos; ao aumento da produtividade; ao alto comprometimento do pessoal; à melhoria nas relações de trabalho e nas relações com os órgãos governamentais, comunidade e grupos ambientalistas, etc.
Quanto às vantagens provindas da adesão ao EMAS podem ser destacadas: 1) a ajuda ao cumprimento legal; 2) a melhoria do desempenho ambiental; 3) a demonstração às partes interessadas um empenho na melhoria ambiental; 4) a integração dos princípios de desenvolvimento sustentável na ação da autoridade; 5) a realização econômica no que tange à redução de resíduos, poupança de energia e utilização de recursos e 6) a melhoria no controle da gestão. Ademais, o relatório ambiental de EMAS é chamado de Indicador Ambiental e se constitui numa forma da empresa tornar seu desempenho ambiental publicamente disponível. O relatório pode ser usado para informar os sucessos, problemas e objetivos no campo da gerência ambiental; para incentivar os empregados a se motivarem ativamente em medidas da proteção ambiental; como documento de atividade e desempenho ambiental; como reforço do compromisso à execução da gerência ambiental; como intrumento de monitoramento do sucesso e como ferramenta estratégica no planejamento.
CAMPOS, Lucila Maria de Souza; MELO, Daiane Aparecida; MEURER, Silvia Aparecida. A importance dos indicadores de desempenho ambient nos sistemas de gestão ambiental. Disponível em: <__http://engema.up.edu.br/ arquivos/engema/pdf/PAP0106. pdf__>. Acesso em: 09 novembro 2009.
Estudo do Sistema de Gestão Ambiental doResidencial Riviera de São Lourenço
Diante da tendência, cada vez maior, pela integração dos sistemas de gestão (da qualidade, da segurança e ambiental), surgem os sistemas de gestão ambiental (SGA), usualmente baseados na NBR ISO 14001. Os Sistemas de Gestão Ambiental implementados nas organizações são, predominantemente, normativos e operacionais. Esta gestão representa a forma pela qual a questão ambiental foi incluída na cultura das organizações e é fortemente influenciada pela norma NBR ISO 14.001. Neste sentido, o presente trabalho propõe-se a realizar uma análise do SGA do residencial Riviera de São Lourenço, pois, devido àconquista da certificação ISO 14001 em dezembro de 2001, o empreendimento urbano Riviera de São Lourenço torcnou-se o primeiro projeto de desenvolvimento urbano a receber este reconhecimento em todo o mundo. Ademais, esta pesquisa relatará as características do residencial, as motivações para a certificação, os aspectos centrais da política ambiental, os indicadores de desempenho considerados fundamentais para avaliar a melhoria contínua nesta organização e os benefícios para a mesma com a certificação do SGA. 1. Características da organização
A Riviera de São Lourenço é um empreendimento urbano privado de veraneio planejado no início da década de 1980, para uma população superior a 60 mil habitantes, localizado na planície arenosa do Município de Bertioga, região de transição entre a Baixada Santista e Litoral Norte Paulista, no estado de São Paulo, Brasil. O projeto de desenvolvimento da Riviera foi realizado pela empresa Sobloco Construtora S/A e tem uma área de aproximadamente 9 milhões de metros quadrados, dentro da escassa área urbana do município de Bertioga (que tem cerca de 80% de sua área preservada). Contudo, as áreas verdes e institucionais do empreendimento equivalem a mais de um terço desta área (aproximadamente 2.600.000 m²), sendo mais que o dobro do que o exigido por lei.
Na área restante, as atividades econômicas são controladas em virtude do respeito e proteção à Mata Atlântica (bioma característico desta região brasileira). O plano urbanístico foi organizado em 3 zonas - turística, residencial e mista. A meta era/ é estabelecer o desenvolvimento aliado à responsabilidade ambiental. Atualmente, a Riviera tem em torno de 50% de seu projeto implantado. Aproximadamente 3.000 pessoas residem no local permanentemente e, nos finais de semana, a população aumenta para 10 mil e, nos feriados e férias, para cerca de 45 mil pessoas.
As belezas naturais aliadas à uma completa infra-estrutura fazem da Riviera de São Lourenço o cenário perfeito para desfrutar bons momentos. O residencial dispõe de 4,5 km de praia limpa, heliponto, restaurantes, postos de gasolina e de serviços; agência bancária; postos 24 horas; capela com missas semanais e atendimento social através da Fundação 10 de agosto; consultórios médico e dentário; correios; escolas (pública e particular); feira livre; serviços gerais de mecânico; borracharia; eletricista; chaveiro; etc. Ademais, para o lazer, conta com complexo de tênis; centro hípico; ciclovia em meio ao belo paisagismo; surf; boliche e shopping center (com 50 lojas, restaurantes, espaço cultural e de leilões). Outra questão importante se refere ao sistema de segurança com câmeras, carros, motos, honda a paisana e, na temporada, a cavalaria. Tudo para assegurar a tranquilidade dos moradores. Estes diferenciais fazem da Riviera um ótimo lugar para se investir. Além disso, os imóveis apresentam liquidez e valorização contínua. 2. Motivações para a certificação
A Riviera de São Lourenço foi planejada visando o bem-estar e qualidade de vida. Sendo assim, para os administradores do empreendimento, a conservação e preservação do meio ambiente são características vitais para o desenvolvimento do projeto, sempre dentro dos princípios do desenvolvimento sustentado. Ademais, é compromisso que todos os trabalhos, operações, produtos e serviços estejam em harmonia com o meio ambiente. Desde o início do empreendimento, a preocupação da Sobloco foi promover o desenvolvimento com alto respeito ao meio ambiente e, para garantir esse respeito, a empresa mantém diversos projetos de conservação, todos realizados sob rigorosa supervisão e fiscalização de órgãos públicos ambientais. 3. Aspectos centrais da política ambiental O comprometimento do empreendimento é com a excelência ambiental. Por esta razão, a política ambiental da Riviera de São Lourenço prevê, além de uma filosofia ambiental pautada no respeito pelo meio ambiente, um completo e eficaz SGA, objetivando garantir que as atividades no residencial atendam aos requisitos legais e corporativos.
O plano de objetivos e metas da Riviera mantém-se em constante esforço para prevenir e minimizar os impactos ambientais ocasionados pelos processos, produtos e serviços do mesmo, sobretudo no que diz respeito aos tratamentos de resíduos sólidos, efluentes líquidos e ao processo de uso e ocupação do solo, proporcionando assim, uma melhoria contínua do meio ambiente e, consequentemente, do empreendimento.
A política ambiental também enfatiza a manutenção de um diálogo aberto junto às autoridades ambientais, à comunidade, aos clientes e aos fornecedores, em busca da troca de informações sobre questões ambientais de relevância. Além disso, para o suporte do SGA, são promovidos programas de treinamento e conscientização para todos os empregados do residencial.
Já no que se refere à avaliação do desempenho ambiental, são realizadas periodicamente, auditorias, no intuito de assegurar a conformidade com os requisitos legais e às boas práticas ambientais. Os resultados destas avaliações e ações são documentadas e difundidas internamente e para todas as partes interessadas.
Sobre a responsabilidade social, o empreendimento atua através de atividades sócio/ educativas/ culturais, onde questões sobre o meio ambiente são tratadas. 3.1. Alguns instrumentos utilizados para a implantação do SGA
Diversas ações voltadas à conservação ambiental são desenvolvidas na Riviera, sempre sob a supervisão e fiscalização dos órgãos públicos ambientais. Abaixo, uma síntese dos principais instrumentos/ ações do residencial:
· Sistema de coleta, adução e tratamento de esgotos;
· Sistema de captação, adução, tratamento e distribuição de água;
· Laboratório de controle ambiental: para o monitoramento das águas do residencial;
· Projeto Aquárius: abastecimento de aquários pelas águas do efluente final da Estação de Tratamento de Esgotos;
· Sistema de Coleta, Triagem e Venda de lixo reciclável: assegurando a coleta e destino de 12 toneladas por mês;
· Viveiro de Mudas: implantado há quase 30 anos, tendo produzido mais de 100 mil mudas de plantas;
· Compostagem de podas de vegetação: para produção de adubo natural;
· Plantio de mais de 15 mil árvores;
· Projeto Pilhas: coleta e destino de pilhas usadas;
· Programa de Educação Ambiental: desenvolvido com a comunidade escolar do município, compreendendo o Projeto Clorofila, o prêmio Atitude Ambiental, palestras, cursos, visitas etc.
3.1.1. Detalhamento de alguns dos principais instrumentos/ ações Paisagismo e Preservação A preservação da flora é uma questão de grande importância na Riviera, tanto que todo o paisagismo da nela é cuidadosamente estudado. O objetivo, acima de manter o lugar bonito, é conservar o verde. Para isso, no início da década de 80, foi criado o Viveiro de Mudas da Riviera, onde são produzidas mudas para arborizar o local e incentivar a adaptação de plantas naturais de outras áreas. O Viveiro é o maior banco genético da flora da região e também um grande laboratório vivo de pesquisas e atividades ambientais. Ademais, todo o resto de poda, capina ou corte de grama da Riviera é aproveitado para a formacão de composteiras. Drenagem
A Sobloco previu e vem executando um completo sistema de drenagem de água pluviais através de canais e canaletas de drenagem, o siste,a garante a ausência de inundacões no empreendimento.
Saneamento A questão do tratamento dos esgotos da Riviera recebeu uma atenção especial. O empreendimento conta com um sistema completo de coleta, recalque e tratamento dos esgotos que garante a ausência absoluta de poluição no mar que banha o residencial. O esgoto coletado é enviado a uma estação de tratamento de esgoto (ETE) através de um moderno sistema, composto por rede de recalque, estações elevatórias e torres de carga. A estação de tratamento de esgotos da Riviera é formada por lagoas anaeróbia e facultativas e o processo de tratamento é 100% natural, resultado de uma simbiose entre bactérias e algas. Laboratório de Controle Ambiental Ademais, todo o tratamento da água e do esgoto da Riviera é monitorado pelo Laboratório de Controle Ambiental, que foi criado com equipamentos de última geração, para verificar a qualidade das águas. Este laboratório é o mais moderno do litoral paulista e a constante classificação de "excelente" registrada nos boletins elaborados pela Cetesb para a Praia de São Lourenço reafirma as ótimas condições de balneabilidade no trecho de 4,5 km da praia da Riviera. Projeto Aquarius Este projeto tem como objetivo monitorar a qualidade do tratamento do esgoto na Riviera através da instalação de aquários, na estação de tratamento de esgotos, abastecidos com a água do efluente final do tratamento, onde são cultivados diversas espécies de peixes. A sobrevivência destes peixes atesta a eficiência do sistema de tratamento de esgotos do residencial e as análises periódicas monitoram a qualidade da água dos aquários, garantindo o controle permanente do efluente final lançado no rio Itapanhaú.
Coleta Seletiva de Lixo Na Rivera há um programa completo de gerenciamento de resíduos que visa, principalmente, a reducão do volume de resíduos gerados no residencial; o reaproveitamento dos resíduos; a diminuicão do desperdício de materiais e o envolvimento da comunidade no equacionamento do problema do lixo e da manutenção da qualidade ambiental. O programa é dividido em 3 partes: coleta de poda e capina para compost gem, coleta de materiais recicláveis e gerenciamento de resíduos de construção civil.
Para o sucesso deste programa foram necessários significativos investimentos na área de educação ambiental. Através de palestras, workshops, encontros, folhetos e outras ações os organizadores foram conquistando a adesão e participação da população fixa e flutuante da Riviera de São Lourenço ao programa.
Educação Ambiental Diferentemente de muitos lugares que foram destruídos pelo turismo predatório e pela especulação imobiliária, a Riviera ensina na prática a cada membro da comunidade, que é possível unir desenvolvimento e respeito pela natureza. Algumas iniciativas, como a Fundação 10 de Agosto, destacam-se pelo processo educativo voltado à comunidade. Esta fundação oferece educação e qualificação profissional, incentivando a convivência e a integração entre os moradores da comunidade. 3.1.2. Equipamentos e projetos em números e dados pontuais
Atualmente, a Riviera de São Lourenço conta com:
· 46,5 km de rede de esgoto;
· 12 estações elevatórias que bombeiam o esgoto para as Torres de Carga;
· 9 torres de carga que encaminham os esgotos para a ETE;
· Estação de Tratamento de Esgotos com:
o 2 tanques de sedimentação utilizando o sistema de Tratameto Avançado
o 4 lagoas de tratamento: 1 anaeróbica com volume de 20.700 m3 e 3 facultativas com volume total de 61.263 m3.
o Capacidade de atendimento de mais de 2.800 imóveis, aproximadamente 80 mil pessoas
· Cursos Profissionalizantes
o Alfabetização de Adultos
O curso não se limita a alfabetizar, mas também oferece um reforço aos que já sabem ler e escrever. Já foram formados 715 alunos, e há lista de espera de novos interessados.
o Zeladores e Caseiros
Em 1998, iniciaram-se os cursos de Capacitação de Caseiros e Zeladores, em cooperação com a Associação Comercial e Industrial de Bertioga. Atendendo interesse manifesto pelos familiares dos trabalhadores locais, foram organizados cursos de tricô, crochê, pintura em tecido e bordado. Os produtos acabados são colocados à venda por ocasião das feiras e eventos, e o resultado apurado é atribuído às próprias artesãs.
o Luteria
Iniciado em 1998, o Curso de Luteria ensina crianças a construir instrumentos de corda de forma artesanal. A oficina tem hoje mais de 30 alunos de 8 a 14 anos.
o Marchetaria
Curso que ensina a técnica de construção de objetos com sobras de madeira. Visa desenvolver uma atividade que, além de combater de forma lúdica a ociosidade, proporciona uma alternativa de renda complementar às famílias menos beneficiadas. Os trabalhos realizados pelos alunos passaram a ser comercializados em ponto de venda da fundação.
o Os cursos de Luteria e Marchetaria têm como objetivo, além da aprendizagem do ofício, o de oferecer uma ocupação para jovens e crianças, mantendo-os numa atividade produtiva e desviando seu interesse pelas atividades de rua.
o Outros
A Fundação administra ainda a realização de cursos de: Violino, Violoncelo, Flauta, Violão, Piano, Teclado, Teatro, Ginástica, Ballet, Jazz, Dança de Salão, Tricô à máquina, Corte e Costura, Inglês, Modelagem em Bisquit, Computação. Ao todo são 32 cursos diferentes, que contam, atualmente, com 280 alunos. 4. Indicadores de desempenho considerados fundamentais para avaliar a melhoria contínua da organização “Como definição, um indicador é uma ferramenta que permite a obtenção de informações sobre uma dada realidade, tendo como característica principal a de poder sintetizar diversas informações, retendo apenas o significado essencial dos aspectos analisados” (MITCHELL, 2004 apud MELO, 2006). De acordo com Melo (2006), os indicadores de desempenho ambiental são utilizados para demonstrar as práticas organizacionais no sentido de minimizar os impactos ao meio ambiente decorrentes de suas atividades. Nesse sentido, buscou-se escolher os indicadores mais eficazes para o monitoramento e a avaliação da melhoria contínua do SGA da Riviera. Esta pesquisa resultou em dois conjuntos de indicadores: o gerencial e o operacional:
Gerencial
· Nº. de objetivos e metas atingidos
· Grau de implementação de códigos de gestão e práticas de operação
· Nº. de iniciativas implementadas para prevenção da poluição
· Nº. de níveis gerenciais com responsabilidades ambientais específicas
· Nº.de prestadores de serviço contratados tendo um sistema de gestão ambiental implementado ou certificado
· Índice percentual de clientes satisfeitos com o desempenho ambiental
· Percentual de atuação em responsabilidade ambiental
· Freqüência de relacionamento com o sindicato e com a comunidade vizinha
· Nº. de queixas relatadas do meio ambiente,
· Total de infrações e multas ambientais
· Recuperação de danos ambientais
· Extensão de áreas protegidas ou restauradas
· Certificações e licenças ambientais obtidas
· Extensão de áreas da organização em áreas legalmente protegidas
· Índices de aprovação em pesquisas na comunidade
· Relações com a comunidade
· Treinamento ambiental
· Atividades e treinamentos desenvolvidos no campo ambiental
· Investimento em atividades para conscientização ambiental
· Tempo para responder ou corrigir os incidentes ambientais
· Nº. de relatórios impressos positivos e negativos das atividades ambientais da companhia
· Nº. de ações corretivas identificadas que foram encerradas ou as que ainda não foram encerradas
· Investimentos em equipamentos de controle ambiental
· Investimentos em projetos e programas relacionados ao meio ambiente
· Custos (operacional e de capital) que são associados com os aspectos ambientais de um produto ou processo
· Retorno sobre o investimento para projetos de melhoria ambiental
· Economia obtida através da redução do uso dos recursos, da prevenção de poluição ou da reciclagem de resíduos.
· Desempenho financeiro
· Desempenho ambiental da cadeia produtiva
· Investimento em ações compensatórias
· Investimento em reciclagem e reutilização
· Nº. de empregados treinados x número que necessita treinamento
· Níveis de conhecimentos obtidos pelos participantes de treinamentos
· Nº. de sugestões dos empregados para a melhoria ambiental
· Nº. de pesquisas com empregados sobre o seu conhecimento das questões ambientais da organização
· Nº. de programas educacionais ambientais ou materiais fornecidos à comunidade
· Nº. de consultas ou comentários sobre questões relacionadas ao meio ambiente
· Nº. de reportagens da imprensa sobre o desempenho ambiental da organização
· Nº. de acessos ao site da organização
· Nº. de sugestões e reclamações recebidas
· Nº. de visitas à organização
Operacional · Quantidade de energia usada por determinado período
· Quantidade de unidades de energia economizadas devido a programas de conservação de energia
· Quantidade de resíduos por determinado período
· Quantidade de efluentes
· Ruído medido em determinado local
· Massa mensal de resíduos
· Reciclagem de resíduos
· Volume de eletricidade autogerada e volume de eletricidade adquirida
· Consumo de água durante determinado período
· Nº. de emissões de poluentes
· Nº. de situações de emergência ou operações não rotineiras
· Área total de solo usada para fins comerciais
· Consumo de água por pessoa
· Consumo de energia elétrica por pessoa
· Quantidade de agentes de limpeza usados por metro quadrado
· Volume de água consumido
· Investimentos em fontes de energia mais eficientes
· Redução de emissão de poluentes
5. Benefícios para a organização com a certificação do SGA Os benefícios da implantação de um SGA-ISO 14001 podem refletir-se tanto na ampliação de mercado, como no acesso às fontes de financiamento, incluindo a fundo perdido, redução de gastos com seguros patrimoniais, com aquisição de insumos e matérias-primas, etc. No caso da Riviera de São Lourenço, a conquista da certificação ISO 14001 significou/ significa o reconhecimento internacional de que o empreendimento é desenvolvido de forma ordenada e com alto respeito ao meio ambiente. Além disso, essa certificação representa, ainda, o primeiro sistema de gestão ambiental de uma cidade em níveis mundiais, o que apenas comprova o espírito de comprometimento com o meio ambiente do residencial. E, apenas à título de conhecimento, o empreendimento é alvo dos mais diversos elogios:
"A Riviera de São Lourenço demonstra na prática que é perfeitamente possível conciliar os interesses do progresso com o respeito à natureza." Pierre Dansereau, doutor em Ciência pela Universidade de Genebra, professor de Botânica e Ecologia na Universidade de Quebec, Canadá.
"O sistema de saneamento da Riviera de São Lourenço é o melhor de toda a baixada santista. A preocupação dos empreendedores quanto à expansão do sistema é digna de elogios, pois dotam o empreendimento de uma capacidade de tratamento sempre à frente de sua ocupação, enquanto que na maioria dos outros locais as obras sempre correm atrás do atraso." Professor Carlos Lopes, engenheiro, doutor pela Faculdade de Saúde Pública da USP, consultor de saneamento, 25 anos de trabalho na Sabesp e há 15 anos lecionando na Universidade Santa Cecília em Santos.
"O grande desafio de Bertioga é compatibilizar seu desenvolvimento com preservação ambiental. Ao despertar diretamente na criança essa consciência ecológica, a Sobloco dá um exemplo de verdadeiro respeito à natureza, materializado na Riviera de São Lourenço, através de sua organização, planejamento e infra-estrutura integrada à natureza." Luiz Carlos Rachid, ex-prefeito de Bertioga
"Exemplos como a Riviera certamente levarão ao equilíbrio na oferta de saneamento básico, garantindo uma qualidade de vida superior às futuras gerações." João Paulo Papa, Engenheiro Superintendente da Sabesp na baixada Santista
"O investimento em tecnologia ambiental por parte dos empreendedores da Riviera demonstra sua intenção de preservar o local e o compromentimento com a qualidade de vida, tornando possível o perfeito equilíbrio e a convivência harmoniosa entre o homem e a natureza." Denise Cardoso Guerra, Bióloga e analista de educação ambiental da Cetesb. 6. Referências Bibliográficas ANDERAOS, Alexandre. Turismo Residencial e seus impactos socioambientais: estudo de caso Riviera de São Lourenço. Disponível em: <http://biblioteca.sp.senac.br/LINKS/acervo238452/12%20Turismo%20Residencial%20e%20seus%20impactos%20socioambientais.pdf>. 09 novembro 2009. CAMPOS, Lucila Maria de Souza; MELO, Daiane Aparecida; MEURER, Silvia Aparecida. A importance dos indicadores de desempenho ambient nos sistemas de gestão ambiental. Disponível em: <http://engema.up.edu.br/arquivos/engema/pdf/PAP0106.pdf>. Acesso em: 09 novembro 2009.
NOVO MILÊNIO. Riviera conquista ISO 14001. Disponível em: <http://www.novomilenio.inf.br/real/ed094h.htm>. Acesso em: 09 novembro 2009. REVISTA MEIO AMBIENTE INDUSTRIAL. A nova versão da NBR ISO 14.001: conquista e desafios. Disponível em: <http://www.meioambienteindustrial.com.br/?aID=3>. Acesso em: 09 novembro 2009.
RIVIERA DE SÃO LOURENÇO. Certificação ISSO 14.001. Disponível em: <http://www.rivieradesaolourenco.com/web/site/Sobre.Certificacao.asp>. Acesso em: 09 novembro 2009.
Estudo da Política de Desenvolvimento Sustentável do Banco Espírito Santo (BES)
Segundo a Heidrick & Struggles (2009), o desenvolvimento sustentável é o “investimento a longo prazo com vista à criação de valor para os “stakeholders” através da identificação e exploração de oportunidades e da gestão de riscos resultantes de factores económicos, ambientais e sociais”. Com base nesta definição, a Heidrick & Struggles, em parceria com o Diário Económico e com o BCSD - Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável de Portugal, concedeu ao Banco Espírito Santo (BES) o Prêmio Desenvolvimento Sustentável 2009.
Neste sentido, o presente trabalho propõe-se a realizar uma análise teórico-reflexiva do relatório de sustentabilidade do BES com o intuito de acrescentar ao conhecimento adquirido nas aulas uma perspectiva empresarial da sustentabilidade enquanto estratégia de marketing corporativo. Esta pesquisa relatará as características do BES, sua motivação para a adesão do desenvolvimento sustentável (DS), seus instrumentos para a implantação do DS, os resultados provindos desse esforço, bem como os benefícios do mesmo.
1. Características da Organização
O Grupo Banco Espírito Santo se caracteriza como um dos grupos líderes do setor financeiro em Portugal, desenvolvendo sua atividade em áreas estratégicas de negócio e trabalhando sob uma estratégia de crescimento orgânico no mercado interno aliada à uma presença internacional focado em mercados com afinidades culturais e/ou econômicas com Portugal.
O Grupo tem sua sede em Lisboa e é cotado no Euronext Lisbon, estando sujeito a supervisão do Banco de Portugal, da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e, internacionalmente, de entidades que regulam os sectores financeiros dos países onde atua. Além disso, o Grupo BES está presente nos índices PSI 20[[#_ftn1|[1]]]; Euronext 100[[#_ftn2|[2]]]; Dow Jones Eurostoxx[[#_ftn3|[3]]]; Dow Jones Stoxx 600 Banks[[#_ftn4|[4]]]; FTSE All World Developed[[#_ftn5|[5]]] e FTSE4Good[[#_ftn6|[6]]](o BES é a única instituição financeira portuguesa presente nesse índice de sustentabilidade.
O BES sustenta um crescimento acompanhado pela definição e implementação de políticas com enfoque nos níveis de eficiência do Banco e através da manutenção de uma rígida disciplina de gestão de recursos financeiros. Ademais, a visão do Grupo para os temas da responsabilidade social, seja ambiental ou ao nível das comunidades, se mostra através da adoção de boas práticas no âmbito da sustentabilidade, havendo pelo menos uma estratégia pontual para cada objetivo/ compromisso social.
Tendo a sustentabilidade enraizada em sua dinâmica corporativa, o Grupo aposta nas dimensões ‘Negócio e Sociedade’, com a definição de eixos e linhas de atuação. Na dimensão ‘Negócio’ destacam-se os produtos específicos para segmentos com menor acesso à produtos financeiros, produtos com preocupações ambientais e sociais e com apoio à inovação empresarial. Já na dimensão ‘Sociedade’, destacam-se programas de preservação ambiental e de apoio social à infância e jovens em risco, seniores, combate à iliteracia. Ademais, a estratégia de responsabilidade do BES é pautada pelo modelo “3 C’s”: Comprometer, Concretizar e Comunicar.
2. Motivações para o desenvolvimento sustentável (DS)
O objetivo central do Grupo Banco Espírito Santo é a criação de valor para clientes, colaboradores e accionistas. Sua principal missão é posicionar-se de forma estratégica para reforçar constantemente sua competitividade no mercado, sempre com total respeito pelos interesses e bem-estar dos seus stakeholders. Deste modo, o Grupo tem como estratégia a implementação de políticas e modelos existentes no âmbito do desenvolvimento sustentável.
Os temas relevantes no cenário do desenvolvimento sustentável foram reconhecidos por meio do resultado de um benchmark realizado para identificar as melhores práticas de sustentabilidade das instituições financeiras internacionais e, também, nos resultados de inquéritos e entrevistas realizadas aos Stakeholders do Grupo BES. Os temas relevantes resultaram do impacto que os temas detectados têm na atividade do Grupo e na importância para os seus Stakeholders.
Na sequência do diálogo com Stakeholders, onde foram questionados quais seriam os principais campos de atuação ao nível da sustentabilidade, os colaboradores consideraram a preservação ambiental como um tema fundamental na estratégia do Grupo BES. Além disso, os resultados confirmam que a estratégia do Grupo tem sido adequada, principalmente no que tange as medidas de redução do consumo de papel e água, de eficiência energética, de redução de emissões, dentre outras.
3. Instrumentos usados para implementar DS
A abordagem do Grupo BES, no cenário do desenvolvimento sustentável, apoia-se nas seguintes ações: mecenato cultural e educacional; apoio à inovação, ciência e investigação; divulgação da importância do desenvolvimento sustentável; solidariedade e avaliação e minimização dos impactos ambientais das atividades do Grupo. A política ambiental do Grupo espelha a importância que a protecão ambiental tem para o Grupo e esta dimensão faz parte da estratégia do BES, sendo também transformada em oportunidades de negócio.
Deste modo, o BES direciona suas ações de forma à atuar sob várias vertentes da sustentabilidade. No entanto, neste trabalho será focada a vertente ambiental, e nesta pode-se verificar uma série de instrumentos e políticas ambientalmente corretas. Especificamente, as estratégias do Grupo podem ser divididas, à grosso modo, em dois conjuntos: produtos e investimentos e preservação ambiental. O primeiro é caracterizado pela criação de produtos com base na ética da sustentabilidade ambiental e pelo investimento em projetos sustentáveis. Já o segundo reflete a preocupação ambiental do Grupo e é destinado à preservação ambiental propriamente dita. O conjunto de estratégias de preservação ambiental é sub-dividido em: 1) soluções internas para a preservação ambiental (gestão interna de recursos para reduzir impactos negativos da atividade do Grupo) e 2) soluções externas para a preservação ambiental (promoção, divulgação e incentivo à conservação ambiental através de envolvimento com partes interessadas).
3.1. Produtos e Investimentos
Com relação às oportunidades de negócio, o Grupo criou produtos diretamente voltados para negócios ambientalmente responsáveis, como por exemplo, linhas de crédito especiais e investimentos, além de parcerias em projetos sustentáveis. Quanto aos produtos, o primeiro e, talvez, o mais importante, diz respeito à atual conjuntura mundial sobre a importância da gestão de risco nas instituições financeiras ao nível de processos. Deste modo, é feita uma análise do risco ambiental de um projeto, por meio de diversos critérios de avaliação, antes da concessão de crédito e de financiamento.
De forma mais pontual, pode-se destacar o ‘BES Ambiente & Energia’ que visa empresas que pretendam investir em projetos que envolvem energias renováveis, eficiência energética e conservação ambiental. Esse projeto consiste em uma oferta integrada de financiamentos, seguros e serviços de consultoria ambiental e energética.
Há ainda, o ‘Luso Carbon Fund’, que é um fundo comercializado pelo BES e teve, em 2008, seu capital aumentado para 73 milhões de euros, sendo o mesmo destinado para o desenvolvimento de projetos de biogás, eficiência energética, energias renováveis e tratamentos de resíduos na China, Rússia, Tailândia e Brasil. O Grupo detém uma carteira de 60 fundos, selecionados com base na existência de um conjunto de critérios ambientais, sociais e éticos.
Já o ‘Fundo Floresta Atlântica’ tem como objetivo a aquisição ou arrendamento de áreas florestais para a elaboração de planos de prevenção contra riscos, com predominância contra os incêndios. Além disso, prevê a exploração florestal por meio dos princípios de gestão sustentável da floresta baseada na plantação de novos povoamentos e gestão dos já existentes; a gestão e exploração de concessões de zonas de caca turística nas áreas detidas pelo Fundo; a animação turística relacionada com o turismo da natureza em meio rural e desporto ao ar livre; a promoção da produção e exploração de todos os recursos silvestres ocorrentes nas áreas detidas pelo Fundo e o desenvolvimento dos projetos, acompanhados por quadros técnicos especializados.
Ademais, diante do potencial de Portugal e de sua atuação junto aos objetivos da Comunidade Européia na construção de um modelo energético mais sustentável, o BES tem mantido seus investimentos em projetos que visam a produção de energia com base em fontes renováveis. Devido à isso, o Grupo ganhou a concessão de licenças de construção e exploração de centrais de produção de energia elétrica, a partir de biomassa florestal e, além disso, adquiriu a Iberwind, empresa que detém diversos parques eólicos espalhados pelo território nacional, em zonas de potencial.
A aposta em energias renováveis passa também pela sua participação no desenvolvimento de fundos com mediação no setor da energia renovável. O Grupo disponibilizou um novo fundo, fechado, no âmbito do investimento responsável, o New Energy Fund, que é caracterizado como o primeiro fundo português de investimento mobiliário, regulado pela CMVM, que investe diretamente em empresas e projetos de Energias Renováveis, nos países de língua oficial portuguesa.
No âmbito das parcerias, pode-se destacar a BES - Martifer e a BES - Home Energy. Tendo a primeira o objetivo de conceder recursos financeiros para aquisição de equipamento no cenário das energias renováveis, de forma vantajosa, como por exemplo, taxas de juro competitivas. Já a segunda resultou em diversos benefícios para os clientes BES, como condições especiais na aquisição do certificado energético.
Por fim, sobre o desenvolvimento de produtos e serviços para a biodiversidade, há a possibilidade de criar uma linha de microfinança voltada exclusivamente à empresas/ organizações de serviços ambientais e/ou pequenas empresas que pretendem se constituir com essa finalidade. Esta linha de crédito é criada em contribuição do BES para a conservação da natureza e entregará, anualmente, o prêmio BES Biodiversidade. 3.2. A Preservação Ambiental
Outro grande instrumento do BES refere-se às soluções para a preservação do ambiente. O compromisso com o meio ambiente, com a biodiversidade e com as expectativas dos seus clientes, resultou no desenvolvimento de ações que visam a preservação ambiental. O compromisso perante a biodiversidade dá-se em duas dimensões: a biodiversidade na atividade do BES e a contribuição do BES para a conservação da natureza.
3.2.1. Soluções internas para a Preservação Ambiental
No que se refere à atividade do Grupo, foi publicado um relatório de medição dos impactos diretos e indiretos do BES na Biodiversidade, onde foram identificados os impactos, os riscos associados e, ainda, as propostas de minimização dos impactos negativos e atividades com impactos positivos. Políticas voltadas para a reciclagem de resíduos, para a diminuição de emissões de CO2 e para a racionalização de água, energia e papel são ações efetivas no dia-a-dia do Grupo.
Quanto à racionalização da comunicação em suporte de papel, o BES tem desenvolvido projetos no sentido da redução do consumo de papel, algumas das principais medidas referem-se à definição de novas regras e periodicidade de emissão para a redução do consumo de papel que se carcterizam, para além das ações de sensibilização, pela de diversas medidas como a implementação do processo de digitalização de documentos, a promoção da reutilização de papel, a impressão de documentos em dupla face e a adesão dos colaboradores ao extracto digital. Além disso, No ano de 2008, o BES realizou uma campanha para incentivar os seus clientes e colaboradores à aderirem ao extrato digital, assumindo o compromisso de plantar uma árvore por cada adesão.
Já no que tange os resíduos, o Grupo implementou a recolha seletiva dos seus resíduos mais relevantes, como os consumíveis de informática; o papel e cartão e o vidro (dos refeitórios). Para os dois primeiros, foram estabelecidos contratos com empresas especializadas para a recolha e envio para reciclagem. Ademais, o BES vem promovendo a sensibilização interna através da divulgação de mensagens para garantir a correta separação do papel para posterior envio para reciclagem. Os tinteiros e toners são encaminhados para reciclagem através de um protocolo assinado com uma empresa que assegura a recolha e o encaminhamento para entidades devidamente autorizadas pela sua gestão.
Além disso, o Grupo ainda tem estabelecida uma política de viagens, onde pretende contribuir para a redução do impacto das emissões de gases com efeito de estufa. Esta política define prioridades para a utilização dos meios disponíveis, estando os mesmos na seguinte ordem: primeiramente vídeoconferência; transporte público, viaturas do Grupo BES e, por último, o transporte aéreo.
Já para 2010, o BES pretende fazer parte do Carbon Disclosure Project (CDP), que é um projeto através do qual os investidores institucionais podem ter mais um elemento que permite avaliar as empresas. Com isto, os investidores tem desafiado as grandes empresas em nível mundial a medir e moderar as suas emissões de carbono, integrando o valor e custo a longo prazo das alterações climáticas na avaliação do desempenho financeiro e perspectivas futuras do negócio.
Ainda no âmbito da política ambiental do Grupo, foram definidas algumas medidas que visam uma maior eficiência na utilização de recursos. Para o alcance dos objetivos propostos, estão programadas ações de sensibilização para os colaboradores relativamente ao consumo de água e energia, para o inicio de 2009. Dentre estas, pode-se destacar a redução do consumo de energia elétrica através da utilização de equipamentos mais eficientes e de atitudes mais responsáveis, como a utilização de lâmpadas de baixo consumo; a redução do tempo de funcionamento do ar condicionado; a programação das luzes dos edifícios para desligarem no final do expediente; dentre outros.
3.2.2. Soluções externas para a Preservação Ambiental
A linha de crédito que entregará o prêmio BES Biodiversidade está entre as ações externas voltadas à preservação. O prêmio será alternado todos os anos dentro das temáticas “Biodiversidade e Investigacao” e “Biodiversidade e Empresas” e o seu objetivo é a premiação e o apoio à projetos e iniciativas inovadoras de investigação, conservação e gestão da diversidade biológica portuguesa, estabelecendo a maior distinção nacional para trabalhos de investigação e de atividade empresarial em conservação ambiental.
Há também a parceria BES - Herdade da Poupa, integrada na Rede Natura 2000 e no Parque Natural do Tejo Internacional - Beira Baixa, que tem como intuito a preservação de espécies ameaçadas, o reflorestamento e a preservação de habitats com espécies de flora autóctone. Esse apoio, em 2008, contribuiu para a manutenção do montado de azinho e vegetação necessária para a alimentação das espécies da Herdade.
Além desta, foi estabelecida a parceria BES - GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente) no intuito de apoiar o Centro Ecológico Educativo do Paul de Tornada, um local privilegiado para a prática da Educação Ambiental e sensibilização para a conservação das zonas úmidas. O protocolo estabelecido ainda se traduz na elaboração de um “Plano para a Conservação do Sitio Ramsar do Paul de Tornada”, que inclui a identificação e caracterização biofísica destes sistemas aquáticos e o desenvolvimento de ações que contribuam para a promoção e conservação dos mesmos, além da prevenção de novos impactos ambientais negativos. Esta parceria objetiva a contribuição para alcance do objetivo europeu de reduzir a taxa de perda de biodiversidade até o ano de 2010.
Uma outra parceria interessante foi a realizada com a João Lagos Sport, para tornar a edição de 2008 do torneio Estoril Open ambientalmente responsável. O lema desta edição foi “Estoril Open Mais Verde” e abordou as vertentes ‘Sensibilização’ e ‘Racionalização de consumos’. Uma das ações de sensibilização consistiu no plantio de uma árvore por cada winner marcado no torneio masculino, em uma zona que, em 2007, foi devastada pelos incêndios de Verão; na projeção de mensagens de sensibilização ambiental por todo o recinto do torneio; na neutralização de 15 toneladas de emissões de CO2 associadas às atividades do recinto do torneio, durante todo o evento; na disposição de ecopontos onde os visitantes podiam separar os resíduos recicláveis e orgânicos; na substituição das lâmpadas convencionais por lâmpadas de baixo consumo na tenda VIP; dentre outras.
Por fim, o BES também trabalha para a divulgação da sustentabilidade. Dentre as ações, pode-se destacar o programa ‘Futuro Sustentável’, onde foram realizadas ações no intuito de colocar a sustentabilidade na agenda nacional. Foi criado um espaço de comunicação e visibilidade para o tema, contribuindo com iniciativas próprias e criadoras de valor, de modo a acelerar a sensibilização para o desenvolvimento sustentável em Portugal. A edição de 2008 teve como principais marcos, o Workshop na Universidade Católica Portuguesa sobre o tema “A Energia e Sustentabilidade”; o almoço/conferência com a participação de Bob Geldof, subjacente ao tema: “Making a difference”; a conferência “A Economia Social, o Terceiro Sector” e, por fim, a conferência “Oportunidades de Negócio da Biodiversidade”, onde foi lançado o livro “Ganhar com a Biodiversidade – Oportunidades de Negócio em Portugal”, que fala da biodiversidade focando simultaneamente os riscos associados a sua perda, bem como as oportunidades de negócio que ela gera.
O BES também promoveu um encontro com ONGA’s para a apresentação das ações desenvolvidas pelo BES em nível ambiental; para a consulta aos presentes sobre a avaliação dessas ações e propostas de novas iniciativas e para a auscultação de serviços financeiros que as ONGA’s necessitam para desenvolver a sua atividade.
4. Resultados obtidos ao nível do DS
O resultado deste grande esforço pode ser resumido pelo merecido reconhecimento em nível nacional e global que o Grupo tem tido. Como exemplos, podem ser citados:
· O prêmio “Banco do Planeta 2009”[[#_ftn7|[7]]] atribuído pelo Comitê Internacional do Desenvolvimento do Planeta Terra, coordenado pela ONU através da UNESCO;
· A reputação no índice FTSE4Good, refletindo o reconhecimento internacional das boas práticas que o BES tem implementado no âmbito do desenvolvimento sustentável;
· A melhor classificação no Accountability Rating Portugal 2008[[#_ftn8|[8]]];
· O 1º lugar no Índice ACGE de Responsabilidade Climática[[#_ftn9|[9]]], no setor financeiro;
· A Menção Honrosa do GRI Readers’ Choice Awards[[#_ftn10|[10]]], prêmio atribuído no âmbito dos relatórios de sustentabilidade.
Além disso, o Grupo BES foi o merecedor do Prêmio Desenvolvimento Sustentável 2009, oferecido pela Heidrick & Struggles em parceria com o Diário Econômico e com o BCSD Portugal. Esse prêmio tem como objetivo identificar e reconhecer as melhores práticas nacionais na área do desenvolvimento sustentável. As candidaturas foram analisadas por um Advisory Board que integrou o setor empresarial e o mundo acadêmico, do qual fizem parte entre outros, Vasco de Mello e Luís Rochartre, presidente e secretário-geral do BCSD Portugal. 5. Benefícios para a Organização
Segundo o presidente da Comissão Executiva do BES, Ricardo Espírito Santo Silva Salgado, para as instituições financeiras é fundamental reforçar a relação com os seus Stakeholders, principalmente em épocas de recessão, nas quais é necessário encontrar meio de minimizar os efeitos da crise, na procura de soluções que promovam o restabelecimento dos níveis de confiança essenciais ao normal funcionamento da economia.
Deste modo, Salgado vê na estratégia e nos compromissos assumidos pelo BES, no âmbito do desenvolvimento sustentável, um contributo ativo para reforçar essa relação de confiança, concretizada na percepção dos clientes, que permitem a evolução do Banco nas principais áreas de negócio; na confiança dos accionistas, na condição de sucesso do projeto empresarial Grupo BES e na participação e empenho de todos os colaboradores, indispensáveis para a afirmação da marca no mercado e determinantes para o progresso do Grupo.
[[#_ftnref1|[1]]]PSI 20: é o principal índice da Euronext Lisboa. [[#_ftnref2|[2]]]Euronext 100: é um índice que reflecte a evolução das 100 maiores empresas da Euronext. [[#_ftnref3|[3]]]Dow Jones Eurostoxx: é um subconjunto extenso e com liquidez do índice Dow Jones STOXX 600 Index. [[#_ftnref4|[4]]]Dow Jones Stoxx 600 Banks: é um índice que reflecte a evolução do preço das emissões de acções de Bancos na Europa. [[#_ftnref5|[5]]]FTSE All World Developed: corresponde a um reconhecido conjunto de benchmarks muito utilizado por gestores de fundos de investimento europeus e globais. [[#_ftnref6|[6]]]FTSE4Good: é uma das mais bem-sucedidas iniciativas já adotadas para difundir a sustentabilidade no âmbito do mercado de capitais. Trata-se de um índice que monitora o desempenho de companhias alinhadas a determinados critérios e normas de responsabilidade social e ambiental. [[#_ftnref7|[7]]]“Banco do Planeta 2009”: é o prêmio atribuído à instituição bancária que mais se tenha destacado no apoio à divulgação de mensagens sobre protecção do ambiente e sustentabilidade. [[#_ftnref8|[8]]]Accountability Rating Portugal: é a avaliação das maiores empresas nacionais em matéria de accountability e mede a implementação de práticas responsáveis nos processos de negócio; o envolvimento com os stakeholders e os os impactos da atividade da empresa no ambiente, no mercado e na sociedade. [[#_ftnref9|[9]]]ACGE de Responsabilidade Climática: é um índice que constitui uma ferramenta de gestão empresarial, permitindo a confrontação dos resultados da política de gestão com a dos seus concorrentes diretos no mercado. [[#_ftnref10|[10]]]GRI Readers’ Choice Awards: é a premiação que reconhece os relatórios de sustentabilidade mais transparentes e completos do mundo.
Estudo da Política de Desenvolvimento Sustentável do Banco Espírito Santo
Segundo a Heidrick & Struggles (data, pag.)- lmadurei Nov 1, 2009, o desenvolvimento sustentável é o “investimento a longo prazo com vista à criação de valor para os “stakeholders” através da identificação e exploração de oportunidades e da gestão de riscos resultantes de factores económicos, ambientais e sociais”. Com base nesta definição, a Heidrick & Struggles, em parceria com o Diário Económico e com o BCSD - Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável de Portugal, concedeu ao Banco Espírito Santo o Prêmio Desenvolvimento Sustentável 2009. Deveria explicar que os tópicos seguintes se baseiam na análise do relatório do BES (2008), que deveria ser claramente referenciado nas referências.- lmadurei Nov 1, 2009
1. Características da Organização
O Grupo Banco Espírito Santo se caracteriza como um dos grupos líderes do setor financeiro em Portugal, desenvolvendo sua atividade em áreas estratégicas de negócio e trabalhando sob uma estratégia de crescimento orgânico no mercado interno aliada à uma presença internacional focado em mercados com afinidades culturais e/ou econômicas com Portugal.
O Grupo tem sua sede em Lisboa e é cotado no Euronext Lisbon, estando sujeito a supervisão do Banco de Portugal, da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e, internacionalmente, de entidades que regulam os sectores financeiros dos países onde atua. Além disso, o Grupo BES está presente nos índices PSI 20; Euronext 100; Dow Jones Eurostoxx; Dow Jones Stoxx 600 Banks; FTSE All World Developed e FTSE4Good (o BES é a única instituição financeira portuguesa presente nesse índice de sustentabilidade Sug. Seria interessante fazer uma nota de rodapé com uma explicação sobre este índice- lmadurei Nov 1, 2009).
O BES sustenta um crescimento acompanhado pela definição e implementação de políticas com enfoque nos níveis de eficiência do Banco e através da manutenção de uma rígida disciplina de gestão de recursos financeiros. Ademais, a visão do Grupo para os temas da responsabilidade social, seja ambiental ou ao nível das comunidades, se mostra através da adoção de boas práticas no âmbito da sustentabilidade, havendo pelo menos uma estratégia pontual para cada objetivo/ compromisso social.
Tendo a sustentabilidade enraizada em sua dinâmica corporativa, o Grupo aposta nas dimensões ‘Negócio e Sociedade’, com a definição de eixos e linhas de atuação. Na dimensão ‘Negócio’ destacam-se os produtos específicos para segmentos com menor acesso à produtos financeiros, produtos com preocupações ambientais e sociais e com apoio à inovação empresarial. Já na dimensão ‘Sociedade’, destacam-se programas de preservação ambiental e de apoio social à infância e jovens em risco, seniores, combate à iliteracia. Ademais, a estratégia de responsabilidade do BES é pautada pelo modelo “3 C’s”: Comprometer, Concretizar e Comunicar.
2. Motivações para o desenvolvimento sustentável (DS)
O objetivo central do Grupo Banco Espírito Santo é a criação de valor para clientes, colaboradores e accionistas. Sua principal missão é posicionar-se de forma estratégica para reforçar constantemente sua competitividade no mercado, sempre com total respeito pelos interesses e bem-estar dos seus stakeholders. Deste modo, o Grupo tem como estratégia a implementação de políticas e modelos existentes no âmbito do desenvolvimento sustentável.
Os temas relevantes no cenário do desenvolvimento sustentável foram reconhecidos por meio do resultado de um benchmark realizado para identificar as melhores práticas de sustentabilidade das instituições financeiras internacionais e, também, nos resultados de inquéritos e entrevistas realizadas aos Stakeholders do Grupo BES. Os temas relevantes resultaram do impacto que os temas detectados têm na atividade do Grupo e na importância para os seus Stakeholders.
Na sequência do diálogo com Stakeholders, onde foram questionados quais seriam os principais campos de atuação ao nível da sustentabilidade, os colaboradores consideraram a preservação ambiental como um tema fundamental na estratégia do Grupo BES. Além disso, os resultados confirmam que a estratégia do Grupo tem sido adequada, principalmente no que tange as medidas de redução do consumo de papel e água, de eficiência energética, de redução de emissões, dentre outras.
3. Instrumentos usados para implementar DS
A abordagem do Grupo BES, no cenário do desenvolvimento sustentável, apoia-se nas seguintes ações: mecenato cultural e educacional; apoio à inovação, ciência e investigação; divulgação da importância do desenvolvimento sustentável; solidariedade e avaliação e minimização dos impactos ambientais das atividades do Grupo. A política ambiental do Grupo espelha a importância que a protecão ambiental tem para o Grupo e esta dimensão faz parte da estratégia do BES, sendo também transformada em oportunidades de negócio.
Deveria incluir aqui um parágrafo explicando o tipo de instrumentos usados pelo BES, de modo a que o leitor saiba já o que vai encontrar nas páginas seguintes e compreenda a ligação entre os tópicos 3.1 e 3.2 (3.2.1 gestão ambiental para reduzir impactes negativos da actividade; 3.2.2 promoção da conservação ambiental através de envolvimento com partes interessadas, designadamente ONGs, mas também com outras entidades, contribuindo para a visibilidade do ambiente)- lmadurei Nov 1, 2009 3.1. Produtos e Investimentos
Com relação às oportunidades de negócio, o Grupo criou produtos diretamente voltados para negócios ambientalmente responsáveis, como por exemplo, linhas de crédito especiais e investimentos, além de parcerias em projetos sustentáveis. Quanto aos produtos, o primeiro e, talvez, o mais importante, diz respeito à atual conjuntura mundial sobre a importância da gestão de risco nas instituições financeiras ao nível de processos. Deste modo, é feita uma análise do risco ambiental de um projeto, por meio de diversos critérios de avaliação, antes da concessão de crédito e de financiamento.
De forma mais pontual, pode-se destacar o ‘BES Ambiente & Energia’ que visa empresas que pretendam investir em projetos que envolvem energias renováveis, eficiência energética e conservação ambiental. Esse projeto consiste em uma oferta integrada de financiamentos, seguros e serviços de consultoria ambiental e energética.
Há ainda, o ‘Luso Carbon Fund’, que é um fundo comercializado pelo BES e teve, em 2008, seu capital aumentado para 73 milhões de euros, sendo o mesmo destinado para o desenvolvimento de projetos de biogás, eficiência energética, energias renováveis e tratamentos de resíduos na China, Rússia, Tailândia e Brasil. O Grupo detém uma carteira de 60 fundos, selecionados com base na existência de um conjunto de critérios ambientais, sociais e éticos.
Já o ‘Fundo Floresta Atlântica’ tem como objetivo a aquisição ou arrendamento de áreas florestais para a elaboração de planos de prevenção contra riscos, com predominância contra os incêndios. Além disso, prevê a exploração florestal por meio dos princípios de gestão sustentável da floresta baseada na plantação de novos povoamentos e gestão dos já existentes; a gestão e exploração de concessões de zonas de caca turística nas áreas detidas pelo Fundo; a animação turística relacionada com o turismo da natureza em meio rural e desporto ao ar livre; a promoção da produção e exploração de todos os recursos silvestres ocorrentes nas áreas detidas pelo Fundo e o desenvolvimento dos projetos, acompanhados por quadros técnicos especializados.
Ademais, diante do potencial de Portugal e de sua atuação junto aos objetivos da Comunidade Européia na construção de um modelo energético mais sustentável, o BES tem mantido seus investimentos em projetos que visam a produção de energia com base em fontes renováveis. Devido à isso, o Grupo ganhou a concessão de licenças de construção e exploração de centrais de produção de energia elétrica, a partir de biomassa florestal e, além disso, adquiriu a Iberwind, empresa que detém diversos parques eólicos espalhados pelo território nacional, em zonas de potencial.
A aposta em energias renováveis passa também pela sua participação no desenvolvimento de fundos com mediação no setor da energia renovável. O Grupo disponibilizou um novo fundo, fechado, no âmbito do investimento responsável, o New Energy Fund, que é caracterizado como o primeiro fundo português de investimento mobiliário, regulado pela CMVM, que investe diretamente em empresas e projetos de Energias Renováveis, nos países de língua oficial portuguesa.
No ambito das parcerias, pode-se destacar a BES - Martifer e a BES - Home Energy. Tendo a primeira o objetivo de conceder recursos financeiros para aquisição de equipamento no cenário das energias renováveis, de forma vantajosa, como por exemplo, taxas de juro competitivas. Já a segunda resultou em diversos benefícios para os clientes BES, como condições especiais na aquisição do certificado energético.
Por fim, sobre o desenvolvimento de produtos e serviços para a biodiversidade, há a possibilidade de criar uma linha de microfinança voltada exclusivamente à empresas/ organizações de serviços ambientais e/ou pequenas empresas que pretendem se constituir com essa finalidade. Esta linha de crédito é criada em contribuição do BES para a conservação da natureza e entregará, anualmente, o prêmio BES Biodiversidade.
3.2. A Preservação Ambiental
Outro grande instrumento do BES refere-se às soluções para a preservação do ambiente. O compromisso com o meio ambiente, com a biodiversidade e com as expectativas dos seus clientes, resultou no desenvolvimento de ações que visam a preservação ambiental. O compromisso perante a biodiversidade dá-se em duas dimensões: a biodiversidade na atividade do BES e a contribuição do BES para a conservação da natureza.
3.2.1. Soluções internas para a Preservação Ambiental
No que se refere à atividade do Grupo, foi publicado um relatório de medição dos impactos diretos e indiretos do BES na Biodiversidade, onde foram identificados os impactos, os riscos associados e, ainda, as propostas de minimização dos impactos negativos e atividades com impactos positivos. Políticas voltadas para a reciclagem de resíduos, para a diminuição de emissões de CO2 e para a racionalização de água, energia e papel são ações efetivas no dia-a-dia do Grupo.
Quanto à racionalização da comunicação em suporte de papel, o BES tem desenvolvido projetos no sentido da redução do consumo de papel, algumas das principais medidas referem-se à definição de novas regras e periodicidade de emissão para a redução do consumo de papel que se carcterizam, para além das ações de sensibilização, pela de diversas medidas como a implementação do processo de digitalização de documentos, a promoção da reutilização de papel, a impressão de documentos em dupla face e a adesão dos colaboradores ao extracto digital. Além disso, No ano de 2008, o BES realizou uma campanha para incentivar os seus clientes e colaboradores à aderirem ao extrato digital, assumindo o compromisso de plantar uma árvore por cada adesão.
Já no que tange os resíduos, o Grupo implementou a recolha seletiva dos seus resíduos mais relevantes, como os consumíveis de informática; o papel e cartão e o vidro (dos refeitórios). Para os dois primeiros, foram estabelecidos contratos com empresas especializadas para a recolha e envio para reciclagem. Ademais, o BES vem promovendo a sensibilização interna através da divulgação de mensagens para garantir a correta separação do papel para posterior envio para reciclagem. Os tinteiros e toners são encaminhados para reciclagem através de um protocolo assinado com uma empresa que assegura a recolha e o encaminhamento para entidades devidamente autorizadas pela sua gestão.
Além disso, o Grupo ainda tem estabelecida uma política de viagens, onde pretende contribuir para a redução do impacto das emissões de gases com efeito de estufa. Esta política define prioridades para a utilização dos meios disponíveis, estando os mesmos na seguinte ordem: primeiramente vídeoconferência; transporte público, viaturas do Grupo BES e, por último, o transporte aéreo.
Já para 2010, o BES pretende fazer parte do Carbon Disclosure Project (CDP), que é um projeto através do qual os investidores institucionais podem ter mais um elemento que permite avaliar as empresas. Com isto, os investidores tem desafiado as grandes empresas em nível mundial a medir e moderar as suas emissões de carbono, integrando o valor e custo a longo prazo das alterações climáticas na avaliação do desempenho financeiro e perspectivas futuras do negócio.
Ainda no âmbito da política ambiental do Grupo, foram definidas algumas medidas que visam uma maior eficiência na utilização de recursos. Para o alcance dos objetivos propostos, estão programadas ações de sensibilização para os colaboradores relativamente ao consumo de água e energia, para o inicio de 2009. Dentre estas, pode-se destacar a redução do consumo de energia elétrica através da utilização de equipamentos mais eficientes e de atitudes mais responsáveis, como a utilização de lâmpadas de baixo consumo; a redução do tempo de funcionamento do ar condicionado; a programação das luzes dos edifícios para desligarem no final do expediente; dentre outros.
3.2.2. Soluções externas para a Preservação Ambiental
A linha de crédito que entregará o prêmio BES Biodiversidade está entre as ações externas voltadas à preservação. O prêmio será alternado todos os anos dentro das temáticas “Biodiversidade e Investigacao” e “Biodiversidade e Empresas” e o seu objetivo é a premiação e o apoio à projetos e iniciativas inovadoras de investigação, conservação e gestão da diversidade biológica portuguesa, estabelecendo a maior distinção nacional para trabalhos de investigação e de atividade empresarial em conservação ambiental.
Há também a parceria BES - Herdade da Poupa, integrada na Rede Natura 2000 e no Parque Natural do Tejo Internacional - Beira Baixa, que tem como intuito a preservação de espécies ameaçadas, o reflorestamento e a preservação de habitats com espécies de flora autóctone. Esse apoio, em 2008, contribuiu para a manutenção do montado de azinho e vegetação necessária para a alimentação das espécies da Herdade.
Além desta, foi estabelecida a parceria BES - GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente) no intuito de apoiar o Centro Ecológico Educativo do Paul de Tornada, um local privilegiado para a prática da Educação Ambiental e sensibilização para a conservação das zonas úmidas. O protocolo estabelecido ainda se traduz na elaboração de um “Plano para a Conservação do Sitio Ramsar do Paul de Tornada”, que inclui a identificação e caracterização biofísica destes sistemas aquáticos e o desenvolvimento de ações que contribuam para a promoção e conservação dos mesmos, além da prevenção de novos impactos ambientais negativos. Esta parceria objetiva a contribuição para alcance do objetivo europeu de reduzir a taxa de perda de biodiversidade até o ano de 2010.
Uma outra parceria interessante foi a realizada com a João Lagos Sport, para tornar a edição de 2008 do torneio Estoril Open ambientalmente responsável. O lema desta edição foi “Estoril Open Mais Verde” e abordou as vertentes ‘Sensibilização’ e ‘Racionalização de consumos’. Uma das ações de sensibilização consistiu no plantio de uma árvore por cada winner marcado no torneio masculino, em uma zona que, em 2007, foi devastada pelos incêndios de Verão; na projeção de mensagens de sensibilização ambiental por todo o recinto do torneio; na neutralização de 15 toneladas de emissões de CO2 associadas às atividades do recinto do torneio, durante todo o evento; na disposição de ecopontos onde os visitantes podiam separar os resíduos recicláveis e orgânicos; na substituição das lâmpadas convencionais por lâmpadas de baixo consumo na tenda VIP; dentre outras.
Por fim, o BES também trabalha para a divulgação da sustentabilidade. Dentre as ações, pode-se destacar o programa ‘Futuro Sustentável’, onde foram realizadas ações no intuito de colocar a sustentabilidade na agenda nacional. Foi criado um espaço de comunicação e visibilidade para o tema, contribuindo com iniciativas próprias e criadoras de valor, de modo a acelerar a sensibilização para o desenvolvimento sustentável em Portugal. A edição de 2008 teve como principais marcos, o Workshop na Universidade Católica Portuguesa sobre o tema “A Energia e Sustentabilidade”; o almoço/conferência com a participação de Bob Geldof, subjacente ao tema: “Making a difference”; a conferência “A Economia Social, o Terceiro Sector” e, por fim, a conferência “Oportunidades de Negócio da Biodiversidade”, onde foi lançado o livro “Ganhar com a Biodiversidade – Oportunidades de Negócio em Portugal”, que fala da biodiversidade focando simultaneamente os riscos associados a sua perda, bem como as oportunidades de negócio que ela gera.
O BES também promoveu um encontro com ONGA’s para a apresentação das ações desenvolvidas pelo BES em nível ambiental; para a consulta aos presentes sobre a avaliação dessas ações e propostas de novas iniciativas e para a auscultação de serviços financeiros que as ONGA’s necessitam para desenvolver a sua atividade.
4. Resultados obtidos ao nível do DS
O resultado deste grande esforço pode ser resumido pelo merecido reconhecimento em nível nacional e global que o Grupo tem tido. Como exemplos, podem ser citados: · O prêmio “Banco do Planeta 2009” (SUG. nota com breve explicação- lmadurei Nov 1, 2009), atribuído pelo Comitê Internacional do Desenvolvimento do Planeta Terra, coordenado pela ONU através da UNESCO; · A reputação no índice FTSE4Good, refletindo o reconhecimento internacional das boas práticas que o BES tem implementado no âmbito do desenvolvimento sustentável; · A melhor classificação no Accountability Rating Portugal 2008SUG. nota com breve explicação- lmadurei Nov 1, 2009); · O 1º lugar no Índice ACGE de Responsabilidade ClimáticaSUG. nota com breve explicação- lmadurei Nov 1, 2009), no setor financeiro; · A Menção Honrosa do GRI Readers’ Choice AwardsSUG. nota com breve explicação- lmadurei Nov 1, 2009), prêmio atribuído no âmbito dos relatórios de sustentabilidade.
Além disso, o Grupo BES foi o merecedor do Prêmio Desenvolvimento Sustentável 2009, oferecido pela Heidrick & Struggles em parceria com o Diário Econômico e com o BCSD Portugal. Esse prêmio tem como objetivo identificar e reconhecer as melhores práticas nacionais na área do desenvolvimento sustentável. As candidaturas foram analisadas por um Advisory Board que integrou o setor empresarial e o mundo acadêmico, do qual fizem parte entre outros, Vasco de Mello e Luís Rochartre, presidente e secretário-geral do BCSD Portugal.
5. Benefícios para a Organização
Segundo o presidente da Comissão Executiva do BES, Ricardo Espírito Santo Silva Salgado, para as instituições financeiras é fundamental reforçar a relação com os seus Stakeholders, principalmente em épocas de recessão, nas quais é necessário encontrar meio de minimizar os efeitos da crise, na procura de soluções que promovam o restabelecimento dos níveis de confiança essenciais ao normal funcionamento da economia.
Deste modo, Salgado vê na estratégia e nos compromissos assumidos pelo BES, no âmbito do desenvolvimento sustentável, um contributo ativo para reforçar essa relação de confiança, concretizada na percepção dos clientes, que permitem a evolução do Banco nas principais áreas de negócio; na confiança dos accionistas, na condição de sucesso do projeto empresarial Grupo BES e na participação e empenho de todos os colaboradores, indispensáveis para a afirmação da marca no mercado e determinantes para o progresso do Grupo.
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DO REPORTING DA SUSTENTABILIDADE DO RELATÓRIO DA EMPRESA BRASILEIRA ‘‘NATURA’’, BASEADO NAS ORIENTAÇÕES DO MANUAL DA GRI - GLOBAL REPORTING INICIATIVE
INTRODUÇÃO
“Um relatório de sustentabilidade baseado nas Directrizes da Global Reporting Iniciative divulga os resultados obtidos dentro do período relatado, no contexto dos compromissos, da estratégia e da forma de gestão da organização.”
Deste modo, este trabalho teve como principal objectivo a análise do relatório de sustentabilidade da empresa “Natura Brasil”, do ano de 2006, com base nas directrizes do manual GRI (Global Reporting Iniciative). A Natura foi a primeira empresa brasileira a integrar as directrizes da GRI ao corpo principal do relatório. Por este motivo, esta empresa foi seleccionada para o trabalho, além disso, isso possibilitou uma análise detalhada do desempenho da empresa no âmbito económico, social e ambiental.
A empresa, que foi criada em 1969, é actualmente líder no sector de cosméticos brasileiro. Este mérito não deve-se somente pelos resultados económicos e financeiros, mas, principalmente, ganha um grande destaque pela aplicação e difusão das práticas empresariais socialmente responsável e ambientalmente sustentável.
No decorrer desta avaliação do reporting da sustentabilidade do relatório da empresa Natura, serão realizadas observações a fim de verificar a qualidade das informações prestadas pela empresa e, por fim, constatar se a Natura realmente tem seguido as directrizes da GRI. As orientações constantes no manual são divididas em duas partes: definição do conteúdo, qualidade e limite do relatório e conteúdo do relatório.
DESENVOLVIMENTO
Orientações sobre as Directrizes da GRI
No manual GRI, as directrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade compreendem os princípios, as orientações e os indicadores de desempenho e todos esses elementos têm o mesmo peso e importância.
Aplicação das Directrizes
O relatório Natura foi impresso e publicado na internet, separado como parte do relatório anual e segue todos os temas contidos no GRI, porém, anteriormente inclui alguns tópicos chave como: razão de ser; crenças e visão.
Neste relatório, principais indicadores do GRI foram integrados ao corpo principal do relatório e o mesmo foi dividido em capítulos para o estabelecimento e manutenção de relações de qualidade com todas as partes envolvidas.
As informações reportadas foram organizadas com o auxílio do público (colaboradores da operação Brasil), ou seja, por meio de uma verificação externa. A pesquisa referente a esta operação está anexa ao relatório em formato de carta resposta.
Não há informações sobre como o GRI foi notificado a respeito deste relatório.
Na mensagem da presidência pode-se verificar a avaliação do desempenho da Natura, além de ser apresentado o interesse da mesma por uma melhoria contínua no âmbito da sustentabilidade.
Os números dos resultados comentados na mensagem da presidência servem para engajar os stakeholders, além de transmitir a preocupação ambiental da empresa e uma mensagem de optimismo.
O relatório pode ser considerado transparente devido a apresentação de todas as informações necessárias aos stakeholders através de temas/tópicos sobre os processos da empresa e devido à forma como os indicadores são apresentados.
Parte 1: Definição de Conteúdo, Qualidade e Limite
Nos tópicos abaixo, serão comentados os princípios e orientações utilizadas pela empresa para a elaboração do relatório no que se refere ao conteúdo, qualidade das informações e estabelecimento do limite do relatório.
1.1. Definição de Conteúdo do Relatório
Pode-se afirmar que o conteúdo do relatório de sustentabilidade da Natura é adequado pois envolve temas de extrema importância para os stakeholders, no que diz respeito à marca; aos produtos; à gestão responsável; à gestão de risco; à governança corporativa; à estrutura accionaria; remuneração dos accionistas; relação com os investidores; principais acontecimentos da empresa, prémios e reconhecimentos; além dos principais indicadores. Sem mencionar a qualidade das relações; as estratégias e desafios; as demonstrações financeiras e o compromisso Global Compact.
Ademais, os indicadores são expostos de forma clara e pontual, apresentando comparações anuais no que se refere ao desempenho da empresa, além de ser abrangente. Cabe ressaltar que, no relatório, são apresentados apenas os indicadores ditos essenciais.
Quanto à materialidade do relatório, todos os temas são abordados com base no interesse dos stakeholders, no que diz respeito aos impactos económicos, ambientais e sociais da organização. A materialidade em relatórios de sustentabilidade vai além dos interesses financeiros, os temas abrangidos envolvem factores internos e externos da organização, levando em consideração a gestão activa e o comprometimento da mesma.
Nota-se, ainda, que em cada tópico do relatório há uma síntese do desempenho da empresa como, por exemplo, no tema sobre produtos, é feito um resumo de todos os novos produtos lançados no período abrangido pelo relatório.
Há, também, um tema incluído de grande relevância que diz respeito à inovação, referindo-se à pesquisa de alternativas para o desenvolvimento de produtos mais sustentáveis. Há também um quadro que envolve a questão dos testes em animais.
O relatório inclui desafios, objectivos e metas (alcançados e almejados), além de comentar sobre a posição da marca e a forma com ela é vista e sobre os factores externos incontroláveis.
Também são apresentados os principais valores da organização dentro dos diversos tópicos já citados como razão de ser; visão; crenças e perfil da organização.
A gestão responsável é relatada sob uma perspectiva comprometida e ambientalmente preocupada. Há uma série de processos, ações e estratégias que foram adoptadas visando uma gestão ambiental mais eficaz. Percebe-se também que o comprometimento com as leis e regulamentos é visto de maneira clara no relatório.
As ações realizadas visando benefícios para os colaboradores, consultores, fornecedores e comunidade são apresentados em números e em comparação com os anos anteriores. Os aspectos relacionados à governança corporativa são apresentados de maneira abrangente porém sintética. Cada responsável é nomeado no relatório.
Com relação aos riscos, não há um tópico pontual e exclusivo sobre estes, porém são apresentados dentro do tema “gestão de riscos”. Para cada risco há uma alternativa para minimizá-lo ou saná-lo. Inclusive, há um comité destinado especialmente para este fim.
As competências essenciais da Natura e a maneira como esta contribui para o desenvolvimento sustentável são percebidas ao longo de todo o relatório. Considerou-se também todos os temas e indicadores de relevância no relatório, sendo comprovada a conveniência dos assuntos dentro do âmbito de sustentabilidade.
No que tange a inclusão dos stakeholders, estes são referidos de maneira enfática. Há tópicos sobre accionistas, investidores, colaboradores, consumidores, comunidade de entorno, dentre outros. Seus interesses e expectativas apontam o caminho do relatório, visto que o mesmo é elaborado para eles.
Também é realizada uma prestação de contas aos stakeholders, no entanto, verifica-se que, no caso dos investidores, as informações são fornecidas de forma mais completa, o que pode ser justificado pelo fato de estes serem os que fazem maior uso do relatório.
Em princípio, consideram-se as informações relatadas suficientes para satisfazer as dúvidas dos stakeholders, além de cada informação considerada relevante possui um tópico especial para seu melhor engajamento.
Os objectivos, metas e processos são comentados através de dados e gráficos. Além disso, há explicações do “por quê”, como e quando estes processos foram desenvolvidos.
São relatados factores relacionados à qualidade das relações da organização com os stakeholders, com base em seus relatos e nos dados sobre os processos relacionados a estes. Há também, quadros comparativos das relações através dos anos e a apresentação dos principais investimentos relacionados a eles.
Ademais, há uma justificativa sobre a importância de cada stakeholder, e uma apresentação dos compromissos e metas a serem atingidos em relação a estes. Como por exemplo, com relação aos funcionários, são comentados os benefícios que tangem a qualidade de vida destes. Já no que se refere aos consumidores, são avaliados expectativas e metas no sentido de uma melhoria na comunicação. Com respeito aos fornecedores, o relatório aborda a preocupação da organização com relação à actuação destes. Já a comunidade de entorno é comentada no que tange a compensação dos impactos socioambientais causados a elas. O governo e a sociedade também são abordados no relatório no que tange a questão da ética.
Com relação ao meio ambiente, o relatório evidencia a responsabilidade da organização com respeito às gerações futuras, à educação ambiental e ao gerenciamento do ciclo de vida de produtos, serviços, insumos e resíduos. Além disso, aborda as estratégias e as normas e estratégias que são utilizadas como parâmetro para as atividades da organização e os impactos gerados pela mesma. A questão da biodiversidade também é tratada no relatório.
Outros factores relevantes:
O relatório é abrangente e pontual pois envolve os principais pontos-chave e resultados de forma precisa no que diz respeito ao interesse do stakeholders, permitindo uma clara avaliação do desempenho da organização.
Logo, o mesmo é completamente pautado na sustentabilidade, todos os tópicos e temas abordam a questão e apresentam dados concretos dentro do contexto inserido.
Ademais, são apontados compromissos e metas futuras, reafirmando sua crescente preocupação e compromisso com a sustentabilidade. Os dados são colocados de forma sucinta e objectiva, reflectindo o compromisso com a sustentabilidade e mostrando como a empresa vê seu sucesso directamente relacionado às sua postura sustentável.
Além de envolver todas as partes afectadas pelas actividades da empresa, o relatório divulga o desempenho financeiro da mesma por meio da apresentação do balanço patrimonial.
Todas as informações são mostradas de acordo com período abrangido pelo relatório e, quando há comparações, levando-se em consideração os anos interiores.
A transparência do relatório pode ser comprovada também devido à forma como este apresenta os eventos e impactos das atividades da organização. Temas como impacto ambiental do produto, gases do efeito estufa, uso da água e efluentes, energia e resíduos são abordados de forma a mostrar a situação de cada um e seu nível de abrangência. Além disso, o relatório mostra soluções sustentáveis para cada aspecto ambiental.
1.2. Princípios para Assegurar a Qualidade do Relatório
Quanto à segurança da qualidade do relatório, pode-se dizer que o mesmo é equilibrado, pois envolve tanto os aspectos positivos quanto os aspectos negativos da organização. Além disso, acredita-se que não há omissão de informações visto que no relatório constam as metas não atingidas.
No que tange a comparabilidade, pode-se dizer que esta é evidente pois há, ao longo do relatório, diversas tabelas com dados e resultados em forma de comparação com os anos anteriores. Cabe ressaltar que estas tabelas são sucintas e claras.
Com relação à exactidão, pode-se dizer que o relatório é bem estruturado, englobando todos os aspectos relevantes de forma objectiva e clara. Além disso pode-se verificar que a maior parte dos dados possui fontes confiáveis ou uma boa explicação sobre a forma como estes dados/ valores foram trabalhados para serem incluídos no relatório.
Até o ano de 2006, o relatório foi publicado anualmente, no entanto desde o último relatório em 2006 não é possível encontrar os seguintes relatórios no site da Natura, na secção direccionada ao relacionamento com os investidores. Isto pode ser caracterizado como a maior falha existente nesta análise, pois os relatórios devem ser de fácil acesso e, neste caso, a empresa pecou em não disponibilizar os relatórios seguintes no site oficial da Natura.
Não se sabe as causas desta falha, mas sabe-se que os relatórios continuam a ser publicados, porém estão disponibilizados em meios de comunicação alternativos da empresa. Contudo, as informações existentes no relatório de 2006 estão adequadas à época do relatório.
A clareza do relatório é evidente, o mesmo reúne informações relevantes de forma objectiva. A quantidade de informações é ideal, sem detalhes desnecessários, apenas o que é importante é focado. Além disso, nota-se um esforço em destacar para os stakeholders alguns pontos-chave como, por exemplo, as informações nas caixas com as metas e compromissos da empresa. O vocabulário também é de fácil compreensão.
No que se refere à confiabilidade das informações, como já foi mencionado, diversos dados são oriundos de fontes de confiança e com devida identificação.
Este relatório de Sustentabilidade esteve entre os 50 melhores do mundo, de acordo com a SustainAbility. Há, ainda, uma declaração de uma equipe de auditores independentes atestando a credibilidade das informações prestadas sobre as demonstrações financeiras.
1.3. Orientações para o Estabelecimento do Limite do Relatório
No que tange o limite do relatório, cabe dizer que o mesmo divide as informações que são entendidas como prestações de contas às entidades envolvidas, o que é correcto, pois cada uma tem uma relação específica com a organização. Estas entidades são incluídas também por meio dos indicadores especiais. As informações prestadas são consideradas pertinentes.
Parte 2: Conteúdo do Relatório
Esta secção especifica o conteúdo básico que deverá constar em um relatório de sustentabilidade, sujeito às orientações para a determinação de conteúdo na Parte 1 das directrizes.
2.1. Estratégia e análise
Além da ‘Mensagem da Presidência’ no relatório, há um tópico chamado ‘Gestão Responsável’ que pode ser considerado como um discurso sobre a importância da sustentabilidade para a organização. Nela são comentadas ações e resultados da empresa no âmbito da sustentabilidade.
As prioridades estratégicas, os temas fundamentais e as metas são encontradas ao longo do relatório e não em um lugar específico. Cabe ressaltar que há o tópico ‘estratégias e desafios’ que pode ser levado em consideração neste quesito, mas de uma forma geral, pode-se dizer que as questões relacionadas às metas e temas fundamentais são melhor visualizadas de acordo com o tópico apresentado.
Quanto às tendências e às perspectivas da empresa sobre os principais desafios e metas, estas estão ‘pinceladas’ na mensagem da presidência, mas aparecem melhor nos tópicos ‘principais acontecimentos’ e ‘estratégias e desafios’. Contudo, estas questões também se desenvolvem ao longo do relatório.
Os acontecimentos importantes do período abrangido pelo relatório têm um tópico especial: ‘Principais Acontecimentos’. Nele são apresentados os acontecimentos de maior importância e visibilidade da organização no período reportado, tanto positivos quanto negativos.
A visão sobre o desempenho da organização com relação às metas é vista na mensagem da presidência e, principalmente, no tópico ‘resultados’.
Já a descrição sobre os principais impactos, riscos e oportunidades é uma constante dentro dos tópicos do relatório, porém é feita livremente de acordo com o tema em questão. Há algumas secções que trabalham melhor estes assuntos, mas não há um tópico pontual para cada um deles.
Quanto à descrição dos mecanismos de governança adoptados para controlar os riscos e oportunidades, há o tópico ‘Gestão de Riscos’ onde se fala do Comité de Gestão de Riscos da Natura.
2.2. Perfil Organizacional
No que se refere à apresentação do perfil organizacional no relatório, pode-se dizer que todos os requisitos exigidos pelo GRI foram cumpridos. Informações sobre localização, produtos, marca, estrutura operacional, países de operação, natureza jurídica, mercados atendidos, número de empregados, vendas líquidas, património, quantidade de produtos e serviços, principais mudanças e prémios recebidos podem ser facilmente encontrados nos tópicos ‘Perfil’, ‘Produtos e Conceitos’, ‘Governança Corporativa, ‘Principais Acontecimentos’ e ‘Prémios e Reconhecimentos’.
2.3. Parâmetros
Sobre os parâmetros, pode-se dizer que o perfil do relatório está adequado. Nele consta o período coberto, a data do relatório anterior, o ciclo de emissão e os dados para contacto em caso de perguntas.
Quanto ao escopo e ao limite, a definição do conteúdo esteve adequada, houve a menção das orientações para a elaboração do relatório, o limite foi pontuado, houve a declaração das limitações específicas quanto ao limite do relatório (por exemplo, foram detalhados apenas os principais indicadores, mas há a apresentação de um quadro indicando onde os outros indicadores podem ser encontrados), as organizações que podem afectar seu desempenho também foram descritas, bem como as técnicas de medição de dados e as mudanças significativas em comparação com os outros anos.
O sumário do relatório está organizado de acordo com as directrizes do GRI, porém alguns tópicos estão descritos com nomenclaturas que vão de acordo com as atividades da empresa, mas abrangendo aos requisitos pedidos pelas directrizes.
Quanto à verificação, como já foi mencionado, uma equipe de auditores independentes fez uma declaração atestando a credibilidade das informações prestadas sobre o balanço patrimonial. Esta declaração está no relatório.
2.4. Governança, compromissos e engajamento
Já no que diz respeito à governança, pode-se dizer que praticamente todos os requisitos foram abordados, desde a descrição da estrutura de governança da organização até as declarações da missão e valores. É valido comentar sobre o requisito relacionado à remuneração dos membros da governança, da directoria executiva e demais executivos que é informado no todo, nas demonstrações financeiras, e não de forma específica.
Quanto aos compromissos com iniciativas externas, também pode-se dizer que estes são abrangidos no corpo do relatório, principalmente na secção sobre ‘Diferenciais Competitivos’, sobretudo na parte sobre ‘Gestão Responsável’.
Com referência ao engajamento dos stakeholders, pode-se dizer que estes são integrados ao relatório, tanto no que se refere ao processo de engajamento até a relação dos mesmos com a organização.
2.5. Forma de Gestão e Indicadores de Desempenho
Por fim, com respeito à forma de gestão e indicadores de desempenho, pode-se considerar que os mesmos estão adequados de acordo com o GRI. Há indicadores de práticas trabalhistas, direitos humanos, sociedade e responsabilidade pelo produto. Além disso, há uma série de outros indicadores pertinentes relacionados ao desempenho económico, ambiental e social. Apenas os principais indicadores estão explicados no tópico especial direccionado a estes, porém, no índice remissivo há a indicação sobre onde encontrar as informações completas a respeito dos mesmos.
CONCLUSÃO
Como conclusão, pode-se afirmar que o relatório de sustentabilidade da empresa Natura segue praticamente todas as directrizes do manual de directrizes GRI. Pode-se observar que a empresa realmente teve uma grande preocupação em cumprir com as orientações do GRI.
O Natura incluiu quase todas as colocações do GRI em seu relatório e fez isto de acordo com seu estilo de reporting. Em outras palavras, os pontos de interesse foram ‘encaixados’ ao longo do mesmo, fazendo com que este não tivesse um aspecto padronizado, ou seja, de acordo com o manual de directrizes do GRI.
Deste modo, pode-se dizer que o relato da empresa não foi prestado de forma a seguir ‘cegamente’ as instruções do manual, mas organizado de maneira harmónica. Os stakeholders podem desfrutar de uma agradável leitura que o conduzirá à descoberta dos sucessos e dificuldades da empresa.
Todas as informações que os stakeholders necessitam podem ser facilmente encontradas no relatório, que se apresenta de forma responsável. Aspectos positivos e negativos, pontos altos e baixos, aspirações, preocupações, anseios, metas, despesas, investimentos e planos podem ser encontrados em forma de texto, números, tabelas e depoimentos.
Por fim, cabe mencionar que poucos foram os pontos do relatório que ‘deixaram a desejar’ com relação ao manual. Comparado à fidelidade encontrada neste, os deslizes não se constituem em algo ‘degradante’. Obviamente, estes não poderiam ser deixados de lado, mas como é sabido, o GRI fornece orientações e o manual dá apenas as directrizes a serem seguidas. Sendo assim, de forma geral, pode-se dizer que o relatório foi feito adequadamente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
NATURA COSMÉTICOS. Natura e a Sustentabilidade. Disponível em: __www.natura.net__
Elaboração de Questionário de Pré-Auditoria para a Lamartine Laboratório de Análises Clínicas
A Auditoria é um processo sistemático, independente e documentado para obter evidências de auditoria e respectiva avaliação objetiva com o intuito de determinar em que medida os critérios de auditoria são satisfeitos. Este processo é o conjunto de ações realizadas de acordo com um plano pré-definido para garantir que as atividades da gestão do sistema e o desempenho da organização sejam realizadas e mantidas a um nível apropriado.
Por sua vez, a Pré-Auditoria tem como objetivo analisar criticamente a adequação do Sistema de Gestão. Isto significa que os procedimentos e documentação serão verificados em relação à sua adequação em relação à norma de referência para que ao final da mesma, a empresa receba um relatório contendo todos os itens que devem ser corrigidos antes da Auditoria de Certificação.
O Questionário de Pré-Auditoria, basicamente, conduz todo o processo de Auditoria. Por meio da análise do questionário, o auditor prepara todo o seu plano de atividades, tendo como base a certificação solicitada. Em outras palavras, ele define a direção do processo, pois com base nas respostas da organização auditada, ele consegue traçar o plano e o programa de Auditoria da empresa até chegar ao resultado final, que é o parecer.
Neste sentido, o presente trabalho propõe-se a elaborar um questionário de pré-auditoria para a Lamartine, que é um laboratório de análises clínicas certificado pela Norma NP EN ISSO 9001:2000 e pelas Normas do Laboratório Clínico da Ordem dos Farmacêuticos. Deste modo, o seguinte questionário irá abranger questões relacionadas à ambas as normas.
QUESTIONÁRIO DE PRÉ-AUDITORIA PARA CERTIFICAÇÃO DE SGA
TIPO
(…) Concessão
(…) Extensão
(…) Alterações
NORMAS DE REFERÊNCIA
· NP EN ISO 9001:2000
· Normas para o Laboratório Clínico
3. PROCESSO (S) Nº:…………………………………………………………………
4. DADOS GERAIS
4.1. Identificação da Organização e Contatos
· Denominação da Organização:………………….…..………………………..
· Sede:……………………………………………………………………………
· Distrito:…………………………………………………………………………
· Fone/ Fax:..……………………………………………………………………
· E-mail:………………………………………………………………………….
· Caracterização Jurídica:………………………………………………………
· Capital Social:…………………………………………………………………
· Número de Contribuinte:………..……………………………………………..
· CAE (Principal e Secundário):…………………………..…………………….
· NACE:…………………………………………………………………………
· Presidente:……………………………………………………………………
· Diretor Geral:…………………………………………………………………
· Contato:………….……………………………………………………………..
· Função:………………………………………………………………………...
· Fone/ Fax e E-mail:……………………………………………………………
· Elemento de contacto para efeito de facturação:…………………...…………
4.2. Informação Adicional
4.2.1. Recursos Humanos
· Número de colaboradores da organização:………….…………………………
· Número de colaboradores envolvidos com a certificação:..................................
· Horário de trabalho……………………………………………………………
· Número de turnos:………………………………………………………………
4.2.2. Características específicas
· A organização pertence a algum Grupo Empresarial?
………………………………………………………………………..................
· Nesse Grupo Empresarial existem entidades certificadas?
…………………………………………………………………………………
· Por quais certificações?
…………………………………………………………………………………
· Quais são os fatores críticos para o sucesso da organização ou quais são os principais objetivos para os próximos anos?
…………………….……………………………………………………………
· Quais são os processos chave da organização?
…………………………………………………………………………………
· Identifique que serviços / produtos estão abrangidos pelo âmbito da certificação solicitada.
…………………………………………………………………………………
· Controle Metrológico e Laboratorial
o Possui laboratório próprio?
………………………...............
o Recorre a laboratórios externos?
………………………………...
· Há outros locais, distintos da sede, abrangidos pelo(s) âmbito(s) da certificação? Identifique.
…………………………………………………………………………………
· A entidade recorre a subcontratação associada para a realização dos processos contemplados no(s) âmbito(s) de certificação? Identifique.
…………………………………………………………………………………
· A instrução do presente processo de certificação visa entre outros aspectos avaliar a necessidade de efetuar uma visita prévia. A entidade tem interesse na sua realização?
…………………………………………………………………………………
· Outras informações consideradas relevantes para o processo de certificação:
…………………………………………………………………………………
4.2.2. Questões de caráter voluntário
· Por que optou pela implementação de um Sistema de Gestão?
……………………………………………………………………………………………
· Por que optou pela Certificação?
…………………………………………………………………………………
4.3. Sistemas de garantia / gestão da qualidade para NP EN ISO 9001:2000
4.3.1. Elementos para o processo de Certificação
- Âmbito da Certificação
…………………………………..........................................................................· A entidade considerou, de acordo com o definido no referencial normativo, alguns requisitos não aplicáveis? Quais?
…………………………………………………………………………………
· Indique quais os requisitos legais e/ou regulamentares aplicáveis aos produtos / serviços contemplados no âmbito da certificação.
…………………………………………………………………………………
4.3.2. Opções de Acreditação
· Indique quais são as suas opções para a Acreditação da Certificação (IPQ, ENAC ou ambas).
……………………………………………………………………………………
4.4. Manual de Objetivos da Qualidade em Farmácia
4.4.1. Numeração do manual de objetivos da qualidade em farmácia
· Manual no………………………………………………………………………………
4.5. Normas para o Laboratório Clínico
4.5.1. Numeração normas para o laboratório
· No……………………………………………………………………………….
5. VALIDAÇÃO PELA ENTIDADE
A validação do presente questionário e a apresentação do pedido de certificação pressupõe:
· A validação do Questionário;
· O cumprimento, por parte da entidade, da legislação e/ou regulamentação aplicável;
· Sistemas de gestão implementados na totalidade há, pelo menos, 3 meses e a existência de registos que evidenciem a adequabilidade e operacionalidade dos mesmos;
· A realização de auditorias internas a todos os processos e locais de atividade abrangidos pelo âmbito de certificação e a realização de, pelo menos, uma Revisão pela Gestão, antes da auditoria de concessão para cada Sistema de Gestão;
· A comunicação das alterações relevantes nos Sistemas de Gestão, alterações significativas aos processos e produtos, mudança dos principais responsáveis, interrupções prolongadas de produção, alterações significativas do nº de colaboradores, entre outras que impliquem a atualização deste questionário.
Nome:…………………………………………………………………………………..
Função:…………………………………………………………………………………
Assinatura:…………………………………………………………………………….
Data:.…………………………………………………………………………………...
Referências
MADUREIRA, Lívia. Auditoria Ambiental. Disponível no SIDE. Acesso em: 13 dezembro 2009.
MADUREIRA, Lívia. Exemplo-Questionário pré-auditoria. Disponível no SIDE. Acesso em: 13 dezembro 2009.
VANZOLINI. Perguntas mais frequentes – Certificação ISO 9001. Disponível em: <www.vanzolini.org.br/areas/certificacao/auditores/.../p.com.10.pdf>. Acesso em: 13 dezembro 2009.
Estudo do Sistema de Gestão Ambiental da Renova
De acordo com a norma ISO 14.001 (2004), o EMAS (Eco-Management and Audit Scheme) “é um mecanismo voluntário destinado à empresas e organizações que querem comprometer-se a avaliar, gerir e melhorar o seu desempenho ambiental, possibilitando evidenciar, perante terceiros e de acordo com os respectivos referenciais, a credibilidade do seu sistema de gestão ambiental e do seu desempenho ambiental”. Assim, o estabelecimento do EMAS visa avaliar e melhorar o desempenho ambiental de uma empresa e, ainda, fornecer informação às partes interessadas.
O EMAS foi estabelecido pelo Regulamento (CEE) nº 1836/93, de 29 de Junho, que definia as responsabilidades dos Estados-membros na criação das estruturas de base do EMAS, as condições de funcionamento e operacionalidade dessas estruturas, bem como os requisitos de adesão a este sistema. O acesso às organizações registradas no EMAS e às respectivas Declarações Ambientais se constitui em uma forma de assegurar a transparência perante o compromisso ambiental assumido. A validade de uma Declaração Ambiental é de três anos, podendo ter duas atualizações, período a que se segue a renovação do registo.
Neste sentido, o presente trabalho propõe-se a realizar uma análise do SGA da Renova - Fábrica de Papel do Almonda S.A. buscando relatar as características da organização, os principais aspectos ambientais, as principais metas ambientais, os indicadores de desempenho considerados fundamentais para avaliar a melhoria contínua nesta organização e os benefícios para a mesma com a certificação do SGA adicionais a uma certificação.
1. Características da organização
A Renova – Fábrica de Papel do Almonda S.A. é uma empresa portuguesa de capital privado (com 100% detido pelo Grupo Almonda SGPS) e atua na produção e comercialização de produtos de consumo com base em papel tissue. A empresa foi fundada em 1939, com sede em Renova (no conselho de Torres Novas), possuindo duas unidades industriais (uma situada na nascente do rio Almonda e a outra a dois quilômetros de distância deste local). Sua localização está diretamente ligada à sua história visto que, em sua atividade, a empresa utiliza a nascente do rio Almonda como fonte de água necessária para as operações requeridas pela produção de papel.
Por meio de seus produtos, a Renova espera levar aos consumidores o bem-estar, sempre fazendo uso de soluções inovadoras e diferentes. Os processos industriais refletem esta vontade através da flexibilidade, da necessidade de efetuar mudanças de produção rápidas e da constante experimentação na busca dessas soluções. Contudo, estes processos acabam resultando em perdas de eficiência que, são minimizadas pela especialização dos colaboradores que reconhecem estas mudanças como essenciais para a sobrevivência da empresa. A partir de então é possível apresentar uma boa performance ambiental associada à competitividade de seus produtos.
1.1. Política Ambiental
A eco-política da Renova se resume no desejo de, como organização, participar na proteção do Ambiente Global. Deste modo, em suas atividades, Renova se propõe a:
1.2. Sistema de Gestão Ambiental
O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) da Renova garante a implementação das medidas de proteção do ambiente de acordo com os compromissos que resultam de sua política ambiental. No âmbito do SGA são feitas contínuas avaliações dos impactos ambientais resultantes das atividades da empresa e, a partir destas avaliações, são definidos os objetivos ambientais que são concretizados nos programas de melhoria.
O SGA da Renova é avaliado periodicamente por auditores internos e externos conforme as normas ISO 14001/EMAS, a Política Ambiental da empresa e os restantes documentos relevantes. A gestão ambiental da empresa pretende interagir e participar em todos os níveis da organização. Por isso, existem diferentes formas e ferramentas para "interferir" com a gestão e as mesmas estão relacionadas à otimização do processo de comunicação, à disponibilização eficaz de informações e à facilitação do debate de críticas, opiniões e sugestões. Ademais, a "interferência" na gestão ambiental da Renova também vem do exterior: além de reuniões com entidades locais sobre o dia-a-dia da empresa dentro da comunidade, há, ainda, parcerias com instituições/universidades no intuito de ligá-los à inovação e otimização de processos.
2. Principais aspectos ambientais da organização
Os Aspectos Ambientais (AA) são os elementos das atividades, produtos e/ou serviços da empresa que podem provocar modificações no ambiente. Estes aspectos podem ser diretos (aqueles que a empresa pode controlar), ou indiretos (aqueles que a empresa não tem controle, podendo apenas influenciar). Ademais, estes aspectos podem ou não ser significativos de acordo com:
- O seu nível de severidade, probabilidade de ocorrência e capacidade de detecção;
- A abrangência legal;
- A abrangência da Política Ambiental da Renova.
Deste modo, os aspectos ambientais significativos oriundos das atividades, produtos e serviços da empresa são:Diretos
Indiretos
3. Principais metas ambientais
Para minimização do impacto de cada aspecto significativo podem ser estabelecidos diversos tipos de gestão, tais como: a implementação de programas de melhoria com objetivos bem definidos, o estabelecimento de procedimentos de monitorização e atuação e formação profissional. São estabelecidos objetivos e metas que são definidos em um Programa Ambiental, que clarifica a estratégia que a organização irá seguir na implementação do SGA.
3.1. Metas de 2007
Adequação ao Regulamento IPPC (International Plant Protection Convention)
Aspecto Ambiental: Efluente Líquido / Emissões Gasosas / Resíduos.
Meta: Obter a licença ambiental.
Resultado: As licenças ambientais foram emitidas para as duas instalações fabris pela APA (Agência Portuguesa do Ambiente) e correspondente comunicação pela DRELVT (Direção Regional da Economia - Lisboa e Vale do Tejo), no papel de entidade coordenadora do licenciamento.
Início: Abril de 2007. Fim: Dezembro de 2007. Status: Concluído.
Renovagreen
Aspecto Ambiental: Sensibilização Ambiental / Interação com os cidadãos.
Meta: Colocar no mercado, no 2º semestre de 2007, 100.000 unidades de venda ao consumidor da marca Renovagreen.
Resultado: A Renova colocou no mercado, no 2º semestre de 2007, quase 1 milhão de unidades de venda ao público e as vendas foram quase quatro vezes superiores ao 1º semestre. Ademais, obteve-se da autoridade competente nacional a atribuição do rótulo ecológico comunitário europeu para toda a linha de produtos Renovagreen.
Início: Julho de 2006 Fim: Dezembro de 2007 Status: Concluído.
Cogeração
Aspecto Ambiental: Consumo de energia / Emissões gasosas
Meta: Evitar a emissão de 4.700 toneladas de Cofano no país através da instalação da unidade de co-geração até Dezembro 2008.
Resultado: Baseado nos resultados da etapa de engenharia básica (onde foram definidos os principais equipamentos e fluxos) foi decidido o layout e dimensionamento do sistema. Também foram realizadas as encomendas, verificando-se em detalhe, com os diferentes fornecedores, a lista de produtos, tempos de entrega, montagem e comissionamento. Por fim, foi definida a filosofia de controle e elaborada a engenharia de detalhe.
Início: Setembro de 2006 Fim: Dezembro de 2008 Status: Não divulgado
Upgrade MP4
Aspecto Ambiental: Consumo de água
Meta: Reduzir o consumo de água desta máquina de 61 m3/ton para 50 m3/ton até Dezembro de 2007.
Resultado: Foi realizado o estudo, adquirido o equipamento elétrico e de controle necessário e a efetuada a caracterização do funcionamento dos equipamentos produtivos. Devido à necessidades de produção a paragem da máquina não foi realizada em 2007, ficando prevista para o 1º quadrimestre de 2008.
Início: Março de 2007 Fim: Dezembro de 2008 Status: Não divulgado
Prensas da MP5
Aspecto Ambiental: Consumo de energia
Meta: Reduzir o consumo de gás natural de 119,2 m3/ton para 100 m3/ton e reduzir o consumo de vapor de 1.645 kg/ton para 1400 kg/ton.
Resultado: Propostas foram solicitadas a diferentes fornecedores de equipamento e comparadas entre si com base em diversos fatores. A melhor proposta foi selecionada e a o início da instalação do equipamento foi previsto para 2007.
Início: Abril de 2007 Fim: Dezembro de 2008 Status: Não divulgado
3.2. Metas para 2008
Gestão de Resíduos
Aspecto Ambiental: Resíduos
Meta: Cumprir a Licença Ambiental.
Início: Abril de 2008 Fim: Dezembro de 2008 Status: Não divulgado
Renovagreen A4
Aspecto Ambiental: Sensibilização Ambiental / Interação com os cidadãos.
Meta: Colocadar à venda no mercado 150 resmas.
Início: Outubro de 2007 Fim: Julho de 2009 Status: Não divulgado
Valorização de Resíduos
Aspecto Ambiental: Resíduos.
Meta: Encontrar alternativas para a valorização das lamas das etar's da empresa.
Início: Abril de 2008 Fim: Dezembro de 2009 Status: Não divulgado
Redução do Consumo de Água Fresca da Fábrica 1
Aspecto Ambiental: Consumo de água.
Meta: Reduzir o consumo de água fresca da Fábrica 1 de 60 m3/ton para 55 m3/ton.
Início: Abril 2008 Fim: Dezembro 2009 Status: Não divulgado
4. Indicadores de desempenho considerados fundamentais para avaliar a melhoria contínua nesta organização
De acordo com Melo (2006), os indicadores de desempenho ambiental são utilizados para demonstrar as práticas organizacionais no sentido de minimizar os impactos ao meio ambiente decorrentes de suas atividades. Deste modo, realizou-se uma listagem dos indicadores de monitoramento e avaliação da melhoria contínua da Renova, segundo sua Declaração Ambiental 2007.
4.1. Matérias-primas
4.2. Consumo de água
4.3. Consumo de energia
4.4. Emissões gasosas
4.5. Efluentes líquidos
4.6. Ruído ambiental
4.7. Resíduos
4.8. Produção
5. Benefícios para a organização com a certificação do SGA adicionais a uma certificação pela Norma ISO 14001: 2004.
De acordo com North apud Cagnin (2000), os benefícios do SGA podem ser divididos em: econômicos e estratégicos. Os econômicos dizem respeito à redução do consumo de água, energia e outros insumos; à reciclagem, venda e aproveitamento e resíduos e diminuição de efluentes; ao aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da poluição, dentre outros. Já os estratégicos se referem à melhoria da imagem institucional; à renovação da carteira de produtos; ao aumento da produtividade; ao alto comprometimento do pessoal; à melhoria nas relações de trabalho e nas relações com os órgãos governamentais, comunidade e grupos ambientalistas, etc.
Quanto às vantagens provindas da adesão ao EMAS podem ser destacadas: 1) a ajuda ao cumprimento legal; 2) a melhoria do desempenho ambiental; 3) a demonstração às partes interessadas um empenho na melhoria ambiental; 4) a integração dos princípios de desenvolvimento sustentável na ação da autoridade; 5) a realização econômica no que tange à redução de resíduos, poupança de energia e utilização de recursos e 6) a melhoria no controle da gestão.
Ademais, o relatório ambiental de EMAS é chamado de Indicador Ambiental e se constitui numa forma da empresa tornar seu desempenho ambiental publicamente disponível. O relatório pode ser usado para informar os sucessos, problemas e objetivos no campo da gerência ambiental; para incentivar os empregados a se motivarem ativamente em medidas da proteção ambiental; como documento de atividade e desempenho ambiental; como reforço do compromisso à execução da gerência ambiental; como intrumento de monitoramento do sucesso e como ferramenta estratégica no planejamento.
6. Referências Bibliográficas
AGÊNCIA PORTUGUESA DO AMBIENTE. EMAS. Disponível em: <__http://www.apambiente.pt/ Instrumentos/GestaoAmbiental/ emas/Paginas/default.aspx__> Acesso em: 21 novembro 2009.
AGÊNCIA PORTUGUESA DO AMBIENTE. Organizações Registadas e Biblioteca de Declarações Ambientais. Disponível em: <[[@http://www.apambiente.pt/Instrumentos/GestaoAmbiental/emas/organizaçõesregistadas/Paginas/default.aspx|http://www.apambiente.pt/ Instrumentos/GestaoAmbiental/ emas/organizaçõesregistadas/ Paginas/default.aspx]]>. Acesso em: 21 novembro 2009.
CAMPOS, Lucila Maria de Souza; MELO, Daiane Aparecida; MEURER, Silvia Aparecida. A importance dos indicadores de desempenho ambient nos sistemas de gestão ambiental. Disponível em: <__http://engema.up.edu.br/ arquivos/engema/pdf/PAP0106. pdf__>. Acesso em: 09 novembro 2009.
KRAEMER, Maria Elisabeth Pereira. Gestão Ambiental: Um enfoque no desenvolvimento sustentável. Disponível em: <__www.ambientebrasil.com.br/ gestao/des_sustentavel.doc__>. Acesso em: 21 novembro 2009.
RENOVA. Declaração Ambiental 2007. Disponível em: <__http://www.apambiente.pt/ Instrumentos/GestaoAmbiental/ emas/organiza%C3%A7%C3% B5esregistadas/Documents/13% 20Renova/DA%202007.pdf__>. Acesso em: 21 novembro 2009.
Link do Trabalho sobre Indicadores Ambientais
Olá turma de GAO!!!
Conforme combinado em sala de aula, aqui está o link do trabalho acadêmico que trata a questão dos indicadores ambientais:
http://engema.up.edu.br/arquivos/engema/pdf/PAP0106.pdf
Espero ajudar!
Atenciosamente,
Estudo do Sistema de Gestão Ambiental do Residencial Riviera de São Lourenço
Diante da tendência, cada vez maior, pela integração dos sistemas de gestão (da qualidade, da segurança e ambiental), surgem os sistemas de gestão ambiental (SGA), usualmente baseados na NBR ISO 14001. Os Sistemas de Gestão Ambiental implementados nas organizações são, predominantemente, normativos e operacionais. Esta gestão representa a forma pela qual a questão ambiental foi incluída na cultura das organizações e é fortemente influenciada pela norma NBR ISO 14.001.
Neste sentido, o presente trabalho propõe-se a realizar uma análise do SGA do residencial Riviera de São Lourenço, pois, devido à conquista da certificação ISO 14001 em dezembro de 2001, o empreendimento urbano Riviera de São Lourenço torcnou-se o primeiro projeto de desenvolvimento urbano a receber este reconhecimento em todo o mundo. Ademais, esta pesquisa relatará as características do residencial, as motivações para a certificação, os aspectos centrais da política ambiental, os indicadores de desempenho considerados fundamentais para avaliar a melhoria contínua nesta organização e os benefícios para a mesma com a certificação do SGA.
1. Características da organização
A Riviera de São Lourenço é um empreendimento urbano privado de veraneio planejado no início da década de 1980, para uma população superior a 60 mil habitantes, localizado na planície arenosa do Município de Bertioga, região de transição entre a Baixada Santista e Litoral Norte Paulista, no estado de São Paulo, Brasil.
O projeto de desenvolvimento da Riviera foi realizado pela empresa Sobloco Construtora S/A e tem uma área de aproximadamente 9 milhões de metros quadrados, dentro da escassa área urbana do município de Bertioga (que tem cerca de 80% de sua área preservada). Contudo, as áreas verdes e institucionais do empreendimento equivalem a mais de um terço desta área (aproximadamente 2.600.000 m²), sendo mais que o dobro do que o exigido por lei.
Na área restante, as atividades econômicas são controladas em virtude do respeito e proteção à Mata Atlântica (bioma característico desta região brasileira). O plano urbanístico foi organizado em 3 zonas - turística, residencial e mista. A meta era/ é estabelecer o desenvolvimento aliado à responsabilidade ambiental.
Atualmente, a Riviera tem em torno de 50% de seu projeto implantado. Aproximadamente 3.000 pessoas residem no local permanentemente e, nos finais de semana, a população aumenta para 10 mil e, nos feriados e férias, para cerca de 45 mil pessoas.
As belezas naturais aliadas à uma completa infra-estrutura fazem da Riviera de São Lourenço o cenário perfeito para desfrutar bons momentos. O residencial dispõe de 4,5 km de praia limpa, heliponto, restaurantes, postos de gasolina e de serviços; agência bancária; postos 24 horas; capela com missas semanais e atendimento social através da Fundação 10 de agosto; consultórios médico e dentário; correios; escolas (pública e particular); feira livre; serviços gerais de mecânico; borracharia; eletricista; chaveiro; etc. Ademais, para o lazer, conta com complexo de tênis; centro hípico; ciclovia em meio ao belo paisagismo; surf; boliche e shopping center (com 50 lojas, restaurantes, espaço cultural e de leilões).
Outra questão importante se refere ao sistema de segurança com câmeras, carros, motos, honda a paisana e, na temporada, a cavalaria. Tudo para assegurar a tranquilidade dos moradores. Estes diferenciais fazem da Riviera um ótimo lugar para se investir. Além disso, os imóveis apresentam liquidez e valorização contínua.
2. Motivações para a certificação
A Riviera de São Lourenço foi planejada visando o bem-estar e qualidade de vida. Sendo assim, para os administradores do empreendimento, a conservação e preservação do meio ambiente são características vitais para o desenvolvimento do projeto, sempre dentro dos princípios do desenvolvimento sustentado. Ademais, é compromisso que todos os trabalhos, operações, produtos e serviços estejam em harmonia com o meio ambiente.
Desde o início do empreendimento, a preocupação da Sobloco foi promover o desenvolvimento com alto respeito ao meio ambiente e, para garantir esse respeito, a empresa mantém diversos projetos de conservação, todos realizados sob rigorosa supervisão e fiscalização de órgãos públicos ambientais.
3. Aspectos centrais da política ambiental
O comprometimento do empreendimento é com a excelência ambiental. Por esta razão, a política ambiental da Riviera de São Lourenço prevê, além de uma filosofia ambiental pautada no respeito pelo meio ambiente, um completo e eficaz SGA, objetivando garantir que as atividades no residencial atendam aos requisitos legais e corporativos.
O plano de objetivos e metas da Riviera mantém-se em constante esforço para prevenir e minimizar os impactos ambientais ocasionados pelos processos, produtos e serviços do mesmo, sobretudo no que diz respeito aos tratamentos de resíduos sólidos, efluentes líquidos e ao processo de uso e ocupação do solo, proporcionando assim, uma melhoria contínua do meio ambiente e, consequentemente, do empreendimento.
A política ambiental também enfatiza a manutenção de um diálogo aberto junto às autoridades ambientais, à comunidade, aos clientes e aos fornecedores, em busca da troca de informações sobre questões ambientais de relevância. Além disso, para o suporte do SGA, são promovidos programas de treinamento e conscientização para todos os empregados do residencial.
Já no que se refere à avaliação do desempenho ambiental, são realizadas periodicamente, auditorias, no intuito de assegurar a conformidade com os requisitos legais e às boas práticas ambientais. Os resultados destas avaliações e ações são documentadas e difundidas internamente e para todas as partes interessadas.
Sobre a responsabilidade social, o empreendimento atua através de atividades sócio/ educativas/ culturais, onde questões sobre o meio ambiente são tratadas.
3.1. Alguns instrumentos utilizados para a implantação do SGA
Diversas ações voltadas à conservação ambiental são desenvolvidas na Riviera, sempre sob a supervisão e fiscalização dos órgãos públicos ambientais. Abaixo, uma síntese dos principais instrumentos/ ações do residencial:
· Sistema de coleta, adução e tratamento de esgotos;
· Sistema de captação, adução, tratamento e distribuição de água;
· Laboratório de controle ambiental: para o monitoramento das águas do residencial;
· Projeto Aquárius: abastecimento de aquários pelas águas do efluente final da Estação de Tratamento de Esgotos;
· Sistema de Coleta, Triagem e Venda de lixo reciclável: assegurando a coleta e destino de 12 toneladas por mês;
· Viveiro de Mudas: implantado há quase 30 anos, tendo produzido mais de 100 mil mudas de plantas;
· Compostagem de podas de vegetação: para produção de adubo natural;
· Plantio de mais de 15 mil árvores;
· Projeto Pilhas: coleta e destino de pilhas usadas;
· Programa de Educação Ambiental: desenvolvido com a comunidade escolar do município, compreendendo o Projeto Clorofila, o prêmio Atitude Ambiental, palestras, cursos, visitas etc.
3.1.1. Detalhamento de alguns dos principais instrumentos/ ações
Paisagismo e Preservação
A preservação da flora é uma questão de grande importância na Riviera, tanto que todo o paisagismo da nela é cuidadosamente estudado. O objetivo, acima de manter o lugar bonito, é conservar o verde. Para isso, no início da década de 80, foi criado o Viveiro de Mudas da Riviera, onde são produzidas mudas para arborizar o local e incentivar a adaptação de plantas naturais de outras áreas. O Viveiro é o maior banco genético da flora da região e também um grande laboratório vivo de pesquisas e atividades ambientais. Ademais, todo o resto de poda, capina ou corte de grama da Riviera é aproveitado para a formacão de composteiras.
Drenagem
A Sobloco previu e vem executando um completo sistema de drenagem de água pluviais através de canais e canaletas de drenagem, o siste,a garante a ausência de inundacões no empreendimento.
Saneamento
A questão do tratamento dos esgotos da Riviera recebeu uma atenção especial. O empreendimento conta com um sistema completo de coleta, recalque e tratamento dos esgotos que garante a ausência absoluta de poluição no mar que banha o residencial. O esgoto coletado é enviado a uma estação de tratamento de esgoto (ETE) através de um moderno sistema, composto por rede de recalque, estações elevatórias e torres de carga. A estação de tratamento de esgotos da Riviera é formada por lagoas anaeróbia e facultativas e o processo de tratamento é 100% natural, resultado de uma simbiose entre bactérias e algas.
Laboratório de Controle Ambiental
Ademais, todo o tratamento da água e do esgoto da Riviera é monitorado pelo Laboratório de Controle Ambiental, que foi criado com equipamentos de última geração, para verificar a qualidade das águas. Este laboratório é o mais moderno do litoral paulista e a constante classificação de "excelente" registrada nos boletins elaborados pela Cetesb para a Praia de São Lourenço reafirma as ótimas condições de balneabilidade no trecho de 4,5 km da praia da Riviera.
Projeto Aquarius
Este projeto tem como objetivo monitorar a qualidade do tratamento do esgoto na Riviera através da instalação de aquários, na estação de tratamento de esgotos, abastecidos com a água do efluente final do tratamento, onde são cultivados diversas espécies de peixes. A sobrevivência destes peixes atesta a eficiência do sistema de tratamento de esgotos do residencial e as análises periódicas monitoram a qualidade da água dos aquários, garantindo o controle permanente do efluente final lançado no rio Itapanhaú.
Coleta Seletiva de Lixo
Na Rivera há um programa completo de gerenciamento de resíduos que visa, principalmente, a reducão do volume de resíduos gerados no residencial; o reaproveitamento dos resíduos; a diminuicão do desperdício de materiais e o envolvimento da comunidade no equacionamento do problema do lixo e da manutenção da qualidade ambiental. O programa é dividido em 3 partes: coleta de poda e capina para compost gem, coleta de materiais recicláveis e gerenciamento de resíduos de construção civil.
Para o sucesso deste programa foram necessários significativos investimentos na área de educação ambiental. Através de palestras, workshops, encontros, folhetos e outras ações os organizadores foram conquistando a adesão e participação da população fixa e flutuante da Riviera de São Lourenço ao programa.
Educação Ambiental
Diferentemente de muitos lugares que foram destruídos pelo turismo predatório e pela especulação imobiliária, a Riviera ensina na prática a cada membro da comunidade, que é possível unir desenvolvimento e respeito pela natureza. Algumas iniciativas, como a Fundação 10 de Agosto, destacam-se pelo processo educativo voltado à comunidade. Esta fundação oferece educação e qualificação profissional, incentivando a convivência e a integração entre os moradores da comunidade.
3.1.2. Equipamentos e projetos em números e dados pontuais
Atualmente, a Riviera de São Lourenço conta com:
· 46,5 km de rede de esgoto;
· 12 estações elevatórias que bombeiam o esgoto para as Torres de Carga;
· 9 torres de carga que encaminham os esgotos para a ETE;
· Estação de Tratamento de Esgotos com:
o 2 tanques de sedimentação utilizando o sistema de Tratameto Avançado
o 4 lagoas de tratamento: 1 anaeróbica com volume de 20.700 m3 e 3 facultativas com volume total de 61.263 m3.
o Capacidade de atendimento de mais de 2.800 imóveis, aproximadamente 80 mil pessoas
· Cursos Profissionalizantes
o Alfabetização de Adultos
O curso não se limita a alfabetizar, mas também oferece um reforço aos que já sabem ler e escrever. Já foram formados 715 alunos, e há lista de espera de novos interessados.
o Zeladores e Caseiros
Em 1998, iniciaram-se os cursos de Capacitação de Caseiros e Zeladores, em cooperação com a Associação Comercial e Industrial de Bertioga. Atendendo interesse manifesto pelos familiares dos trabalhadores locais, foram organizados cursos de tricô, crochê, pintura em tecido e bordado. Os produtos acabados são colocados à venda por ocasião das feiras e eventos, e o resultado apurado é atribuído às próprias artesãs.
o Luteria
Iniciado em 1998, o Curso de Luteria ensina crianças a construir instrumentos de corda de forma artesanal. A oficina tem hoje mais de 30 alunos de 8 a 14 anos.
o Marchetaria
Curso que ensina a técnica de construção de objetos com sobras de madeira. Visa desenvolver uma atividade que, além de combater de forma lúdica a ociosidade, proporciona uma alternativa de renda complementar às famílias menos beneficiadas. Os trabalhos realizados pelos alunos passaram a ser comercializados em ponto de venda da fundação.
o Os cursos de Luteria e Marchetaria têm como objetivo, além da aprendizagem do ofício, o de oferecer uma ocupação para jovens e crianças, mantendo-os numa atividade produtiva e desviando seu interesse pelas atividades de rua.
o Outros
A Fundação administra ainda a realização de cursos de: Violino, Violoncelo, Flauta, Violão, Piano, Teclado, Teatro, Ginástica, Ballet, Jazz, Dança de Salão, Tricô à máquina, Corte e Costura, Inglês, Modelagem em Bisquit, Computação. Ao todo são 32 cursos diferentes, que contam, atualmente, com 280 alunos.
4. Indicadores de desempenho considerados fundamentais para avaliar a melhoria contínua da organização
“Como definição, um indicador é uma ferramenta que permite a obtenção de informações sobre uma dada realidade, tendo como característica principal a de poder sintetizar diversas informações, retendo apenas o significado essencial dos aspectos analisados” (MITCHELL, 2004 apud MELO, 2006).
De acordo com Melo (2006), os indicadores de desempenho ambiental são utilizados para demonstrar as práticas organizacionais no sentido de minimizar os impactos ao meio ambiente decorrentes de suas atividades. Nesse sentido, buscou-se escolher os indicadores mais eficazes para o monitoramento e a avaliação da melhoria contínua do SGA da Riviera. Esta pesquisa resultou em dois conjuntos de indicadores: o gerencial e o operacional:
Gerencial
· Nº. de objetivos e metas atingidos
· Grau de implementação de códigos de gestão e práticas de operação
· Nº. de iniciativas implementadas para prevenção da poluição
· Nº. de níveis gerenciais com responsabilidades ambientais específicas
· Nº.de prestadores de serviço contratados tendo um sistema de gestão ambiental implementado ou certificado
· Índice percentual de clientes satisfeitos com o desempenho ambiental
· Percentual de atuação em responsabilidade ambiental
· Freqüência de relacionamento com o sindicato e com a comunidade vizinha
· Nº. de queixas relatadas do meio ambiente,
· Total de infrações e multas ambientais
· Recuperação de danos ambientais
· Extensão de áreas protegidas ou restauradas
· Certificações e licenças ambientais obtidas
· Extensão de áreas da organização em áreas legalmente protegidas
· Índices de aprovação em pesquisas na comunidade
· Relações com a comunidade
· Treinamento ambiental
· Atividades e treinamentos desenvolvidos no campo ambiental
· Investimento em atividades para conscientização ambiental
· Tempo para responder ou corrigir os incidentes ambientais
· Nº. de relatórios impressos positivos e negativos das atividades ambientais da companhia
· Nº. de ações corretivas identificadas que foram encerradas ou as que ainda não foram encerradas
· Investimentos em equipamentos de controle ambiental
· Investimentos em projetos e programas relacionados ao meio ambiente
· Custos (operacional e de capital) que são associados com os aspectos ambientais de um produto ou processo
· Retorno sobre o investimento para projetos de melhoria ambiental
· Economia obtida através da redução do uso dos recursos, da prevenção de poluição ou da reciclagem de resíduos.
· Desempenho financeiro
· Desempenho ambiental da cadeia produtiva
· Investimento em ações compensatórias
· Investimento em reciclagem e reutilização
· Nº. de empregados treinados x número que necessita treinamento
· Níveis de conhecimentos obtidos pelos participantes de treinamentos
· Nº. de sugestões dos empregados para a melhoria ambiental
· Nº. de pesquisas com empregados sobre o seu conhecimento das questões ambientais da organização
· Nº. de programas educacionais ambientais ou materiais fornecidos à comunidade
· Nº. de consultas ou comentários sobre questões relacionadas ao meio ambiente
· Nº. de reportagens da imprensa sobre o desempenho ambiental da organização
· Nº. de acessos ao site da organização
· Nº. de sugestões e reclamações recebidas
· Nº. de visitas à organização
Operacional
· Quantidade de energia usada por determinado período
· Quantidade de unidades de energia economizadas devido a programas de conservação de energia
· Quantidade de resíduos por determinado período
· Quantidade de efluentes
· Ruído medido em determinado local
· Massa mensal de resíduos
· Reciclagem de resíduos
· Volume de eletricidade autogerada e volume de eletricidade adquirida
· Consumo de água durante determinado período
· Nº. de emissões de poluentes
· Nº. de situações de emergência ou operações não rotineiras
· Área total de solo usada para fins comerciais
· Consumo de água por pessoa
· Consumo de energia elétrica por pessoa
· Quantidade de agentes de limpeza usados por metro quadrado
· Volume de água consumido
· Investimentos em fontes de energia mais eficientes
· Redução de emissão de poluentes
5. Benefícios para a organização com a certificação do SGA
Os benefícios da implantação de um SGA-ISO 14001 podem refletir-se tanto na ampliação de mercado, como no acesso às fontes de financiamento, incluindo a fundo perdido, redução de gastos com seguros patrimoniais, com aquisição de insumos e matérias-primas, etc. No caso da Riviera de São Lourenço, a conquista da certificação ISO 14001 significou/ significa o reconhecimento internacional de que o empreendimento é desenvolvido de forma ordenada e com alto respeito ao meio ambiente. Além disso, essa certificação representa, ainda, o primeiro sistema de gestão ambiental de uma cidade em níveis mundiais, o que apenas comprova o espírito de comprometimento com o meio ambiente do residencial.
E, apenas à título de conhecimento, o empreendimento é alvo dos mais diversos elogios:
"A Riviera de São Lourenço demonstra na prática que é perfeitamente possível conciliar os interesses do progresso com o respeito à natureza."
Pierre Dansereau, doutor em Ciência pela Universidade de Genebra, professor de Botânica e Ecologia na Universidade de Quebec, Canadá.
"O sistema de saneamento da Riviera de São Lourenço é o melhor de toda a baixada santista. A preocupação dos empreendedores quanto à expansão do sistema é digna de elogios, pois dotam o empreendimento de uma capacidade de tratamento sempre à frente de sua ocupação, enquanto que na maioria dos outros locais as obras sempre correm atrás do atraso."
Professor Carlos Lopes, engenheiro, doutor pela Faculdade de Saúde Pública da USP, consultor de saneamento, 25 anos de trabalho na Sabesp e há 15 anos lecionando na Universidade Santa Cecília em Santos.
"O grande desafio de Bertioga é compatibilizar seu desenvolvimento com preservação ambiental. Ao despertar diretamente na criança essa consciência ecológica, a Sobloco dá um exemplo de verdadeiro respeito à natureza, materializado na Riviera de São Lourenço, através de sua organização, planejamento e infra-estrutura integrada à natureza."
Luiz Carlos Rachid, ex-prefeito de Bertioga
"Exemplos como a Riviera certamente levarão ao equilíbrio na oferta de saneamento básico, garantindo uma qualidade de vida superior às futuras gerações."
João Paulo Papa, Engenheiro Superintendente da Sabesp na baixada Santista
"O investimento em tecnologia ambiental por parte dos empreendedores da Riviera demonstra sua intenção de preservar o local e o compromentimento com a qualidade de vida, tornando possível o perfeito equilíbrio e a convivência harmoniosa entre o homem e a natureza."
Denise Cardoso Guerra, Bióloga e analista de educação ambiental da Cetesb.
6. Referências Bibliográficas
ANDERAOS, Alexandre. Turismo Residencial e seus impactos socioambientais: estudo de caso Riviera de São Lourenço. Disponível em: <http://biblioteca.sp.senac.br/LINKS/acervo238452/12%20Turismo%20Residencial%20e%20seus%20impactos%20socioambientais.pdf>. 09 novembro 2009.
CAMPOS, Lucila Maria de Souza; MELO, Daiane Aparecida; MEURER, Silvia Aparecida. A importance dos indicadores de desempenho ambient nos sistemas de gestão ambiental. Disponível em: <http://engema.up.edu.br/arquivos/engema/pdf/PAP0106.pdf>. Acesso em: 09 novembro 2009.
NOVO MILÊNIO. Riviera conquista ISO 14001. Disponível em: <http://www.novomilenio.inf.br/real/ed094h.htm>. Acesso em: 09 novembro 2009.
REVISTA MEIO AMBIENTE INDUSTRIAL. A nova versão da NBR ISO 14.001: conquista e desafios. Disponível em: <http://www.meioambienteindustrial.com.br/?aID=3>. Acesso em: 09 novembro 2009.
RIVIERA DE SÃO LOURENÇO. Certificação ISSO 14.001. Disponível em: <http://www.rivieradesaolourenco.com/web/site/Sobre.Certificacao.asp>. Acesso em: 09 novembro 2009.
RIVIERA DE SÃO LOURENÇO. Coleta Seletiva de Lixo. Disponível em: <http://www.rivieradesaolourenco.com/web/site/Educacao.Coletq.asp>. Acesso em: 09 novembro 2009.
RIVIERA DE SÃO LOURENÇO. Conservação Ambiental. Disponível em: <http://www.rivieradesaolourenco.com/web/site/Sobre.Conservacao.asp>. Acesso em: 09 novembro 2009.
RIVIERA DE SÃO LOURENÇO. Educação Ambiental. Disponível em: <http://www.rivieradesaolourenco.com/web/site/Educacao.EduAmbiental.asp>. Acesso em: 09 novembro 2009.
RIVIERA DE SÃO LOURENÇO. O Projeto. Disponível em: <http://www.rivieradesaolourenco.com/web/site/Sobre.Projeto.asp>. Acesso em: 09 novembro 2009.
RIVIERA DE SÃO LOURENÇO. Paisagismo e Preservação. Disponível em: <http://www.rivieradesaolourenco.com/web/site/Educacao.Paisagismo.asp>. Acesso em: 09 novembro 2009.
RIVIERA DE SÃO LOURENÇO. Reconhecimentos. Disponível em: <http://www.rivieradesaolourenco.com/web/site/Sobre.Reconhecimentos.asp?keyword=Sobre.Reconhecimentos&page=3>. Acesso em: 09 novembro 2009.
SOBLOCO. Riviera de São Lourenço. Disponível em: <http://www.sobloco.com.br/site/interno.asp?keyword=realizacoes.desenvolvimento.empreendimentos.20051205142633875&emp=1>. Acesso em: 09 novembro 2009.
VEJA CONSULTORIA IMOBILIARIA. Riviera de São Lourenço. Disponível em: <http://www.vejariviera.com.br/riviera.aspx>. Acesso em: 09 novembro 2009.
Estudo da Política de Desenvolvimento Sustentável do Banco Espírito Santo (BES)
Segundo a Heidrick & Struggles (2009), o desenvolvimento sustentável é o “investimento a longo prazo com vista à criação de valor para os “stakeholders” através da identificação e exploração de oportunidades e da gestão de riscos resultantes de factores económicos, ambientais e sociais”. Com base nesta definição, a Heidrick & Struggles, em parceria com o Diário Económico e com o BCSD - Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável de Portugal, concedeu ao Banco Espírito Santo (BES) o Prêmio Desenvolvimento Sustentável 2009.
Neste sentido, o presente trabalho propõe-se a realizar uma análise teórico-reflexiva do relatório de sustentabilidade do BES com o intuito de acrescentar ao conhecimento adquirido nas aulas uma perspectiva empresarial da sustentabilidade enquanto estratégia de marketing corporativo. Esta pesquisa relatará as características do BES, sua motivação para a adesão do desenvolvimento sustentável (DS), seus instrumentos para a implantação do DS, os resultados provindos desse esforço, bem como os benefícios do mesmo.
1. Características da Organização
O Grupo Banco Espírito Santo se caracteriza como um dos grupos líderes do setor financeiro em Portugal, desenvolvendo sua atividade em áreas estratégicas de negócio e trabalhando sob uma estratégia de crescimento orgânico no mercado interno aliada à uma presença internacional focado em mercados com afinidades culturais e/ou econômicas com Portugal.
O Grupo tem sua sede em Lisboa e é cotado no Euronext Lisbon, estando sujeito a supervisão do Banco de Portugal, da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e, internacionalmente, de entidades que regulam os sectores financeiros dos países onde atua. Além disso, o Grupo BES está presente nos índices PSI 20[[#_ftn1|[1]]]; Euronext 100[[#_ftn2|[2]]]; Dow Jones Eurostoxx[[#_ftn3|[3]]]; Dow Jones Stoxx 600 Banks[[#_ftn4|[4]]]; FTSE All World Developed[[#_ftn5|[5]]] e FTSE4Good[[#_ftn6|[6]]] (o BES é a única instituição financeira portuguesa presente nesse índice de sustentabilidade.
O BES sustenta um crescimento acompanhado pela definição e implementação de políticas com enfoque nos níveis de eficiência do Banco e através da manutenção de uma rígida disciplina de gestão de recursos financeiros. Ademais, a visão do Grupo para os temas da responsabilidade social, seja ambiental ou ao nível das comunidades, se mostra através da adoção de boas práticas no âmbito da sustentabilidade, havendo pelo menos uma estratégia pontual para cada objetivo/ compromisso social.
Tendo a sustentabilidade enraizada em sua dinâmica corporativa, o Grupo aposta nas dimensões ‘Negócio e Sociedade’, com a definição de eixos e linhas de atuação. Na dimensão ‘Negócio’ destacam-se os produtos específicos para segmentos com menor acesso à produtos financeiros, produtos com preocupações ambientais e sociais e com apoio à inovação empresarial. Já na dimensão ‘Sociedade’, destacam-se programas de preservação ambiental e de apoio social à infância e jovens em risco, seniores, combate à iliteracia. Ademais, a estratégia de responsabilidade do BES é pautada pelo modelo “3 C’s”: Comprometer, Concretizar e Comunicar.
2. Motivações para o desenvolvimento sustentável (DS)
O objetivo central do Grupo Banco Espírito Santo é a criação de valor para clientes, colaboradores e accionistas. Sua principal missão é posicionar-se de forma estratégica para reforçar constantemente sua competitividade no mercado, sempre com total respeito pelos interesses e bem-estar dos seus stakeholders. Deste modo, o Grupo tem como estratégia a implementação de políticas e modelos existentes no âmbito do desenvolvimento sustentável.
Os temas relevantes no cenário do desenvolvimento sustentável foram reconhecidos por meio do resultado de um benchmark realizado para identificar as melhores práticas de sustentabilidade das instituições financeiras internacionais e, também, nos resultados de inquéritos e entrevistas realizadas aos Stakeholders do Grupo BES. Os temas relevantes resultaram do impacto que os temas detectados têm na atividade do Grupo e na importância para os seus Stakeholders.
Na sequência do diálogo com Stakeholders, onde foram questionados quais seriam os principais campos de atuação ao nível da sustentabilidade, os colaboradores consideraram a preservação ambiental como um tema fundamental na estratégia do Grupo BES. Além disso, os resultados confirmam que a estratégia do Grupo tem sido adequada, principalmente no que tange as medidas de redução do consumo de papel e água, de eficiência energética, de redução de emissões, dentre outras.
3. Instrumentos usados para implementar DS
A abordagem do Grupo BES, no cenário do desenvolvimento sustentável, apoia-se nas seguintes ações: mecenato cultural e educacional; apoio à inovação, ciência e investigação; divulgação da importância do desenvolvimento sustentável; solidariedade e avaliação e minimização dos impactos ambientais das atividades do Grupo. A política ambiental do Grupo espelha a importância que a protecão ambiental tem para o Grupo e esta dimensão faz parte da estratégia do BES, sendo também transformada em oportunidades de negócio.
Deste modo, o BES direciona suas ações de forma à atuar sob várias vertentes da sustentabilidade. No entanto, neste trabalho será focada a vertente ambiental, e nesta pode-se verificar uma série de instrumentos e políticas ambientalmente corretas. Especificamente, as estratégias do Grupo podem ser divididas, à grosso modo, em dois conjuntos: produtos e investimentos e preservação ambiental. O primeiro é caracterizado pela criação de produtos com base na ética da sustentabilidade ambiental e pelo investimento em projetos sustentáveis. Já o segundo reflete a preocupação ambiental do Grupo e é destinado à preservação ambiental propriamente dita. O conjunto de estratégias de preservação ambiental é sub-dividido em: 1) soluções internas para a preservação ambiental (gestão interna de recursos para reduzir impactos negativos da atividade do Grupo) e 2) soluções externas para a preservação ambiental (promoção, divulgação e incentivo à conservação ambiental através de envolvimento com partes interessadas).
3.1. Produtos e Investimentos
Com relação às oportunidades de negócio, o Grupo criou produtos diretamente voltados para negócios ambientalmente responsáveis, como por exemplo, linhas de crédito especiais e investimentos, além de parcerias em projetos sustentáveis. Quanto aos produtos, o primeiro e, talvez, o mais importante, diz respeito à atual conjuntura mundial sobre a importância da gestão de risco nas instituições financeiras ao nível de processos. Deste modo, é feita uma análise do risco ambiental de um projeto, por meio de diversos critérios de avaliação, antes da concessão de crédito e de financiamento.
De forma mais pontual, pode-se destacar o ‘BES Ambiente & Energia’ que visa empresas que pretendam investir em projetos que envolvem energias renováveis, eficiência energética e conservação ambiental. Esse projeto consiste em uma oferta integrada de financiamentos, seguros e serviços de consultoria ambiental e energética.
Há ainda, o ‘Luso Carbon Fund’, que é um fundo comercializado pelo BES e teve, em 2008, seu capital aumentado para 73 milhões de euros, sendo o mesmo destinado para o desenvolvimento de projetos de biogás, eficiência energética, energias renováveis e tratamentos de resíduos na China, Rússia, Tailândia e Brasil. O Grupo detém uma carteira de 60 fundos, selecionados com base na existência de um conjunto de critérios ambientais, sociais e éticos.
Já o ‘Fundo Floresta Atlântica’ tem como objetivo a aquisição ou arrendamento de áreas florestais para a elaboração de planos de prevenção contra riscos, com predominância contra os incêndios. Além disso, prevê a exploração florestal por meio dos princípios de gestão sustentável da floresta baseada na plantação de novos povoamentos e gestão dos já existentes; a gestão e exploração de concessões de zonas de caca turística nas áreas detidas pelo Fundo; a animação turística relacionada com o turismo da natureza em meio rural e desporto ao ar livre; a promoção da produção e exploração de todos os recursos silvestres ocorrentes nas áreas detidas pelo Fundo e o desenvolvimento dos projetos, acompanhados por quadros técnicos especializados.
Ademais, diante do potencial de Portugal e de sua atuação junto aos objetivos da Comunidade Européia na construção de um modelo energético mais sustentável, o BES tem mantido seus investimentos em projetos que visam a produção de energia com base em fontes renováveis. Devido à isso, o Grupo ganhou a concessão de licenças de construção e exploração de centrais de produção de energia elétrica, a partir de biomassa florestal e, além disso, adquiriu a Iberwind, empresa que detém diversos parques eólicos espalhados pelo território nacional, em zonas de potencial.
A aposta em energias renováveis passa também pela sua participação no desenvolvimento de fundos com mediação no setor da energia renovável. O Grupo disponibilizou um novo fundo, fechado, no âmbito do investimento responsável, o New Energy Fund, que é caracterizado como o primeiro fundo português de investimento mobiliário, regulado pela CMVM, que investe diretamente em empresas e projetos de Energias Renováveis, nos países de língua oficial portuguesa.
No âmbito das parcerias, pode-se destacar a BES - Martifer e a BES - Home Energy. Tendo a primeira o objetivo de conceder recursos financeiros para aquisição de equipamento no cenário das energias renováveis, de forma vantajosa, como por exemplo, taxas de juro competitivas. Já a segunda resultou em diversos benefícios para os clientes BES, como condições especiais na aquisição do certificado energético.
Por fim, sobre o desenvolvimento de produtos e serviços para a biodiversidade, há a possibilidade de criar uma linha de microfinança voltada exclusivamente à empresas/ organizações de serviços ambientais e/ou pequenas empresas que pretendem se constituir com essa finalidade. Esta linha de crédito é criada em contribuição do BES para a conservação da natureza e entregará, anualmente, o prêmio BES Biodiversidade.
3.2. A Preservação Ambiental
Outro grande instrumento do BES refere-se às soluções para a preservação do ambiente. O compromisso com o meio ambiente, com a biodiversidade e com as expectativas dos seus clientes, resultou no desenvolvimento de ações que visam a preservação ambiental. O compromisso perante a biodiversidade dá-se em duas dimensões: a biodiversidade na atividade do BES e a contribuição do BES para a conservação da natureza.
3.2.1. Soluções internas para a Preservação Ambiental
No que se refere à atividade do Grupo, foi publicado um relatório de medição dos impactos diretos e indiretos do BES na Biodiversidade, onde foram identificados os impactos, os riscos associados e, ainda, as propostas de minimização dos impactos negativos e atividades com impactos positivos. Políticas voltadas para a reciclagem de resíduos, para a diminuição de emissões de CO2 e para a racionalização de água, energia e papel são ações efetivas no dia-a-dia do Grupo.
Quanto à racionalização da comunicação em suporte de papel, o BES tem desenvolvido projetos no sentido da redução do consumo de papel, algumas das principais medidas referem-se à definição de novas regras e periodicidade de emissão para a redução do consumo de papel que se carcterizam, para além das ações de sensibilização, pela de diversas medidas como a implementação do processo de digitalização de documentos, a promoção da reutilização de papel, a impressão de documentos em dupla face e a adesão dos colaboradores ao extracto digital. Além disso, No ano de 2008, o BES realizou uma campanha para incentivar os seus clientes e colaboradores à aderirem ao extrato digital, assumindo o compromisso de plantar uma árvore por cada adesão.
Já no que tange os resíduos, o Grupo implementou a recolha seletiva dos seus resíduos mais relevantes, como os consumíveis de informática; o papel e cartão e o vidro (dos refeitórios). Para os dois primeiros, foram estabelecidos contratos com empresas especializadas para a recolha e envio para reciclagem. Ademais, o BES vem promovendo a sensibilização interna através da divulgação de mensagens para garantir a correta separação do papel para posterior envio para reciclagem. Os tinteiros e toners são encaminhados para reciclagem através de um protocolo assinado com uma empresa que assegura a recolha e o encaminhamento para entidades devidamente autorizadas pela sua gestão.
Além disso, o Grupo ainda tem estabelecida uma política de viagens, onde pretende contribuir para a redução do impacto das emissões de gases com efeito de estufa. Esta política define prioridades para a utilização dos meios disponíveis, estando os mesmos na seguinte ordem: primeiramente vídeoconferência; transporte público, viaturas do Grupo BES e, por último, o transporte aéreo.
Já para 2010, o BES pretende fazer parte do Carbon Disclosure Project (CDP), que é um projeto através do qual os investidores institucionais podem ter mais um elemento que permite avaliar as empresas. Com isto, os investidores tem desafiado as grandes empresas em nível mundial a medir e moderar as suas emissões de carbono, integrando o valor e custo a longo prazo das alterações climáticas na avaliação do desempenho financeiro e perspectivas futuras do negócio.
Ainda no âmbito da política ambiental do Grupo, foram definidas algumas medidas que visam uma maior eficiência na utilização de recursos. Para o alcance dos objetivos propostos, estão programadas ações de sensibilização para os colaboradores relativamente ao consumo de água e energia, para o inicio de 2009. Dentre estas, pode-se destacar a redução do consumo de energia elétrica através da utilização de equipamentos mais eficientes e de atitudes mais responsáveis, como a utilização de lâmpadas de baixo consumo; a redução do tempo de funcionamento do ar condicionado; a programação das luzes dos edifícios para desligarem no final do expediente; dentre outros.
3.2.2. Soluções externas para a Preservação Ambiental
A linha de crédito que entregará o prêmio BES Biodiversidade está entre as ações externas voltadas à preservação. O prêmio será alternado todos os anos dentro das temáticas “Biodiversidade e Investigacao” e “Biodiversidade e Empresas” e o seu objetivo é a premiação e o apoio à projetos e iniciativas inovadoras de investigação, conservação e gestão da diversidade biológica portuguesa, estabelecendo a maior distinção nacional para trabalhos de investigação e de atividade empresarial em conservação ambiental.
Há também a parceria BES - Herdade da Poupa, integrada na Rede Natura 2000 e no Parque Natural do Tejo Internacional - Beira Baixa, que tem como intuito a preservação de espécies ameaçadas, o reflorestamento e a preservação de habitats com espécies de flora autóctone. Esse apoio, em 2008, contribuiu para a manutenção do montado de azinho e vegetação necessária para a alimentação das espécies da Herdade.
Além desta, foi estabelecida a parceria BES - GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente) no intuito de apoiar o Centro Ecológico Educativo do Paul de Tornada, um local privilegiado para a prática da Educação Ambiental e sensibilização para a conservação das zonas úmidas. O protocolo estabelecido ainda se traduz na elaboração de um “Plano para a Conservação do Sitio Ramsar do Paul de Tornada”, que inclui a identificação e caracterização biofísica destes sistemas aquáticos e o desenvolvimento de ações que contribuam para a promoção e conservação dos mesmos, além da prevenção de novos impactos ambientais negativos. Esta parceria objetiva a contribuição para alcance do objetivo europeu de reduzir a taxa de perda de biodiversidade até o ano de 2010.
Uma outra parceria interessante foi a realizada com a João Lagos Sport, para tornar a edição de 2008 do torneio Estoril Open ambientalmente responsável. O lema desta edição foi “Estoril Open Mais Verde” e abordou as vertentes ‘Sensibilização’ e ‘Racionalização de consumos’. Uma das ações de sensibilização consistiu no plantio de uma árvore por cada winner marcado no torneio masculino, em uma zona que, em 2007, foi devastada pelos incêndios de Verão; na projeção de mensagens de sensibilização ambiental por todo o recinto do torneio; na neutralização de 15 toneladas de emissões de CO2 associadas às atividades do recinto do torneio, durante todo o evento; na disposição de ecopontos onde os visitantes podiam separar os resíduos recicláveis e orgânicos; na substituição das lâmpadas convencionais por lâmpadas de baixo consumo na tenda VIP; dentre outras.
Por fim, o BES também trabalha para a divulgação da sustentabilidade. Dentre as ações, pode-se destacar o programa ‘Futuro Sustentável’, onde foram realizadas ações no intuito de colocar a sustentabilidade na agenda nacional. Foi criado um espaço de comunicação e visibilidade para o tema, contribuindo com iniciativas próprias e criadoras de valor, de modo a acelerar a sensibilização para o desenvolvimento sustentável em Portugal. A edição de 2008 teve como principais marcos, o Workshop na Universidade Católica Portuguesa sobre o tema “A Energia e Sustentabilidade”; o almoço/conferência com a participação de Bob Geldof, subjacente ao tema: “Making a difference”; a conferência “A Economia Social, o Terceiro Sector” e, por fim, a conferência “Oportunidades de Negócio da Biodiversidade”, onde foi lançado o livro “Ganhar com a Biodiversidade – Oportunidades de Negócio em Portugal”, que fala da biodiversidade focando simultaneamente os riscos associados a sua perda, bem como as oportunidades de negócio que ela gera.
O BES também promoveu um encontro com ONGA’s para a apresentação das ações desenvolvidas pelo BES em nível ambiental; para a consulta aos presentes sobre a avaliação dessas ações e propostas de novas iniciativas e para a auscultação de serviços financeiros que as ONGA’s necessitam para desenvolver a sua atividade.
4. Resultados obtidos ao nível do DS
O resultado deste grande esforço pode ser resumido pelo merecido reconhecimento em nível nacional e global que o Grupo tem tido. Como exemplos, podem ser citados:
· O prêmio “Banco do Planeta 2009”[[#_ftn7|[7]]] atribuído pelo Comitê Internacional do Desenvolvimento do Planeta Terra, coordenado pela ONU através da UNESCO;
· A reputação no índice FTSE4Good, refletindo o reconhecimento internacional das boas práticas que o BES tem implementado no âmbito do desenvolvimento sustentável;
· A melhor classificação no Accountability Rating Portugal 2008[[#_ftn8|[8]]];
· O 1º lugar no Índice ACGE de Responsabilidade Climática[[#_ftn9|[9]]], no setor financeiro;
· A Menção Honrosa do GRI Readers’ Choice Awards[[#_ftn10|[10]]], prêmio atribuído no âmbito dos relatórios de sustentabilidade.
Além disso, o Grupo BES foi o merecedor do Prêmio Desenvolvimento Sustentável 2009, oferecido pela Heidrick & Struggles em parceria com o Diário Econômico e com o BCSD Portugal. Esse prêmio tem como objetivo identificar e reconhecer as melhores práticas nacionais na área do desenvolvimento sustentável. As candidaturas foram analisadas por um Advisory Board que integrou o setor empresarial e o mundo acadêmico, do qual fizem parte entre outros, Vasco de Mello e Luís Rochartre, presidente e secretário-geral do BCSD Portugal.
5. Benefícios para a Organização
Segundo o presidente da Comissão Executiva do BES, Ricardo Espírito Santo Silva Salgado, para as instituições financeiras é fundamental reforçar a relação com os seus Stakeholders, principalmente em épocas de recessão, nas quais é necessário encontrar meio de minimizar os efeitos da crise, na procura de soluções que promovam o restabelecimento dos níveis de confiança essenciais ao normal funcionamento da economia.
Deste modo, Salgado vê na estratégia e nos compromissos assumidos pelo BES, no âmbito do desenvolvimento sustentável, um contributo ativo para reforçar essa relação de confiança, concretizada na percepção dos clientes, que permitem a evolução do Banco nas principais áreas de negócio; na confiança dos accionistas, na condição de sucesso do projeto empresarial Grupo BES e na participação e empenho de todos os colaboradores, indispensáveis para a afirmação da marca no mercado e determinantes para o progresso do Grupo.
6. Referências Bibliográficas
BCSD PORTUGAL. Prémios Desenvolvimento Sustentável 2009. Disponível em: <http://www.bcsdportugal.org/content/index.php?action>. Acesso em: 23 outubro 2009.
BCSD PORTUGAL. BES 2008. Disponível em: <http://www.bcsdportugal.org/content/index.php?action>. Acesso em: 23 outubro 2009.
[[#_ftnref1|[1]]] PSI 20: é o principal índice da Euronext Lisboa.
[[#_ftnref2|[2]]] Euronext 100: é um índice que reflecte a evolução das 100 maiores empresas da Euronext.
[[#_ftnref3|[3]]] Dow Jones Eurostoxx: é um subconjunto extenso e com liquidez do índice Dow Jones STOXX 600 Index.
[[#_ftnref4|[4]]] Dow Jones Stoxx 600 Banks: é um índice que reflecte a evolução do preço das emissões de acções de Bancos na Europa.
[[#_ftnref5|[5]]] FTSE All World Developed: corresponde a um reconhecido conjunto de benchmarks muito utilizado por gestores de fundos de investimento europeus e globais.
[[#_ftnref6|[6]]] FTSE4Good: é uma das mais bem-sucedidas iniciativas já adotadas para difundir a sustentabilidade no âmbito do mercado de capitais. Trata-se de um índice que monitora o desempenho de companhias alinhadas a determinados critérios e normas de responsabilidade social e ambiental.
[[#_ftnref7|[7]]] “Banco do Planeta 2009”: é o prêmio atribuído à instituição bancária que mais se tenha destacado no apoio à divulgação de mensagens sobre protecção do ambiente e sustentabilidade.
[[#_ftnref8|[8]]] Accountability Rating Portugal: é a avaliação das maiores empresas nacionais em matéria de accountability e mede a implementação de práticas responsáveis nos processos de negócio; o envolvimento com os stakeholders e os os impactos da atividade da empresa no ambiente, no mercado e na sociedade.
[[#_ftnref9|[9]]] ACGE de Responsabilidade Climática: é um índice que constitui uma ferramenta de gestão empresarial, permitindo a confrontação dos resultados da política de gestão com a dos seus concorrentes diretos no mercado.
[[#_ftnref10|[10]]] GRI Readers’ Choice Awards: é a premiação que reconhece os relatórios de sustentabilidade mais transparentes e completos do mundo.
Estudo da Política de Desenvolvimento Sustentável do Banco Espírito Santo
Segundo a Heidrick & Struggles (data, pag.)-
Deveria explicar que os tópicos seguintes se baseiam na análise do relatório do BES (2008), que deveria ser claramente referenciado nas referências.-
1. Características da Organização
O Grupo Banco Espírito Santo se caracteriza como um dos grupos líderes do setor financeiro em Portugal, desenvolvendo sua atividade em áreas estratégicas de negócio e trabalhando sob uma estratégia de crescimento orgânico no mercado interno aliada à uma presença internacional focado em mercados com afinidades culturais e/ou econômicas com Portugal.
O Grupo tem sua sede em Lisboa e é cotado no Euronext Lisbon, estando sujeito a supervisão do Banco de Portugal, da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e, internacionalmente, de entidades que regulam os sectores financeiros dos países onde atua. Além disso, o Grupo BES está presente nos índices PSI 20; Euronext 100; Dow Jones Eurostoxx; Dow Jones Stoxx 600 Banks; FTSE All World Developed e FTSE4Good (o BES é a única instituição financeira portuguesa presente nesse índice de sustentabilidade Sug. Seria interessante fazer uma nota de rodapé com uma explicação sobre este índice-
O BES sustenta um crescimento acompanhado pela definição e implementação de políticas com enfoque nos níveis de eficiência do Banco e através da manutenção de uma rígida disciplina de gestão de recursos financeiros. Ademais, a visão do Grupo para os temas da responsabilidade social, seja ambiental ou ao nível das comunidades, se mostra através da adoção de boas práticas no âmbito da sustentabilidade, havendo pelo menos uma estratégia pontual para cada objetivo/ compromisso social.
Tendo a sustentabilidade enraizada em sua dinâmica corporativa, o Grupo aposta nas dimensões ‘Negócio e Sociedade’, com a definição de eixos e linhas de atuação. Na dimensão ‘Negócio’ destacam-se os produtos específicos para segmentos com menor acesso à produtos financeiros, produtos com preocupações ambientais e sociais e com apoio à inovação empresarial. Já na dimensão ‘Sociedade’, destacam-se programas de preservação ambiental e de apoio social à infância e jovens em risco, seniores, combate à iliteracia. Ademais, a estratégia de responsabilidade do BES é pautada pelo modelo “3 C’s”: Comprometer, Concretizar e Comunicar.
2. Motivações para o desenvolvimento sustentável (DS)
O objetivo central do Grupo Banco Espírito Santo é a criação de valor para clientes, colaboradores e accionistas. Sua principal missão é posicionar-se de forma estratégica para reforçar constantemente sua competitividade no mercado, sempre com total respeito pelos interesses e bem-estar dos seus stakeholders. Deste modo, o Grupo tem como estratégia a implementação de políticas e modelos existentes no âmbito do desenvolvimento sustentável.
Os temas relevantes no cenário do desenvolvimento sustentável foram reconhecidos por meio do resultado de um benchmark realizado para identificar as melhores práticas de sustentabilidade das instituições financeiras internacionais e, também, nos resultados de inquéritos e entrevistas realizadas aos Stakeholders do Grupo BES. Os temas relevantes resultaram do impacto que os temas detectados têm na atividade do Grupo e na importância para os seus Stakeholders.
Na sequência do diálogo com Stakeholders, onde foram questionados quais seriam os principais campos de atuação ao nível da sustentabilidade, os colaboradores consideraram a preservação ambiental como um tema fundamental na estratégia do Grupo BES. Além disso, os resultados confirmam que a estratégia do Grupo tem sido adequada, principalmente no que tange as medidas de redução do consumo de papel e água, de eficiência energética, de redução de emissões, dentre outras.
3. Instrumentos usados para implementar DS
A abordagem do Grupo BES, no cenário do desenvolvimento sustentável, apoia-se nas seguintes ações: mecenato cultural e educacional; apoio à inovação, ciência e investigação; divulgação da importância do desenvolvimento sustentável; solidariedade e avaliação e minimização dos impactos ambientais das atividades do Grupo. A política ambiental do Grupo espelha a importância que a protecão ambiental tem para o Grupo e esta dimensão faz parte da estratégia do BES, sendo também transformada em oportunidades de negócio.
Deveria incluir aqui um parágrafo explicando o tipo de instrumentos usados pelo BES, de modo a que o leitor saiba já o que vai encontrar nas páginas seguintes e compreenda a ligação entre os tópicos 3.1 e 3.2 (3.2.1 gestão ambiental para reduzir impactes negativos da actividade; 3.2.2 promoção da conservação ambiental através de envolvimento com partes interessadas, designadamente ONGs, mas também com outras entidades, contribuindo para a visibilidade do ambiente)-
3.1. Produtos e Investimentos
Com relação às oportunidades de negócio, o Grupo criou produtos diretamente voltados para negócios ambientalmente responsáveis, como por exemplo, linhas de crédito especiais e investimentos, além de parcerias em projetos sustentáveis. Quanto aos produtos, o primeiro e, talvez, o mais importante, diz respeito à atual conjuntura mundial sobre a importância da gestão de risco nas instituições financeiras ao nível de processos. Deste modo, é feita uma análise do risco ambiental de um projeto, por meio de diversos critérios de avaliação, antes da concessão de crédito e de financiamento.
De forma mais pontual, pode-se destacar o ‘BES Ambiente & Energia’ que visa empresas que pretendam investir em projetos que envolvem energias renováveis, eficiência energética e conservação ambiental. Esse projeto consiste em uma oferta integrada de financiamentos, seguros e serviços de consultoria ambiental e energética.
Há ainda, o ‘Luso Carbon Fund’, que é um fundo comercializado pelo BES e teve, em 2008, seu capital aumentado para 73 milhões de euros, sendo o mesmo destinado para o desenvolvimento de projetos de biogás, eficiência energética, energias renováveis e tratamentos de resíduos na China, Rússia, Tailândia e Brasil. O Grupo detém uma carteira de 60 fundos, selecionados com base na existência de um conjunto de critérios ambientais, sociais e éticos.
Já o ‘Fundo Floresta Atlântica’ tem como objetivo a aquisição ou arrendamento de áreas florestais para a elaboração de planos de prevenção contra riscos, com predominância contra os incêndios. Além disso, prevê a exploração florestal por meio dos princípios de gestão sustentável da floresta baseada na plantação de novos povoamentos e gestão dos já existentes; a gestão e exploração de concessões de zonas de caca turística nas áreas detidas pelo Fundo; a animação turística relacionada com o turismo da natureza em meio rural e desporto ao ar livre; a promoção da produção e exploração de todos os recursos silvestres ocorrentes nas áreas detidas pelo Fundo e o desenvolvimento dos projetos, acompanhados por quadros técnicos especializados.
Ademais, diante do potencial de Portugal e de sua atuação junto aos objetivos da Comunidade Européia na construção de um modelo energético mais sustentável, o BES tem mantido seus investimentos em projetos que visam a produção de energia com base em fontes renováveis. Devido à isso, o Grupo ganhou a concessão de licenças de construção e exploração de centrais de produção de energia elétrica, a partir de biomassa florestal e, além disso, adquiriu a Iberwind, empresa que detém diversos parques eólicos espalhados pelo território nacional, em zonas de potencial.
A aposta em energias renováveis passa também pela sua participação no desenvolvimento de fundos com mediação no setor da energia renovável. O Grupo disponibilizou um novo fundo, fechado, no âmbito do investimento responsável, o New Energy Fund, que é caracterizado como o primeiro fundo português de investimento mobiliário, regulado pela CMVM, que investe diretamente em empresas e projetos de Energias Renováveis, nos países de língua oficial portuguesa.
No ambito das parcerias, pode-se destacar a BES - Martifer e a BES - Home Energy. Tendo a primeira o objetivo de conceder recursos financeiros para aquisição de equipamento no cenário das energias renováveis, de forma vantajosa, como por exemplo, taxas de juro competitivas. Já a segunda resultou em diversos benefícios para os clientes BES, como condições especiais na aquisição do certificado energético.
Por fim, sobre o desenvolvimento de produtos e serviços para a biodiversidade, há a possibilidade de criar uma linha de microfinança voltada exclusivamente à empresas/ organizações de serviços ambientais e/ou pequenas empresas que pretendem se constituir com essa finalidade. Esta linha de crédito é criada em contribuição do BES para a conservação da natureza e entregará, anualmente, o prêmio BES Biodiversidade.
3.2. A Preservação Ambiental
Outro grande instrumento do BES refere-se às soluções para a preservação do ambiente. O compromisso com o meio ambiente, com a biodiversidade e com as expectativas dos seus clientes, resultou no desenvolvimento de ações que visam a preservação ambiental. O compromisso perante a biodiversidade dá-se em duas dimensões: a biodiversidade na atividade do BES e a contribuição do BES para a conservação da natureza.
3.2.1. Soluções internas para a Preservação Ambiental
No que se refere à atividade do Grupo, foi publicado um relatório de medição dos impactos diretos e indiretos do BES na Biodiversidade, onde foram identificados os impactos, os riscos associados e, ainda, as propostas de minimização dos impactos negativos e atividades com impactos positivos. Políticas voltadas para a reciclagem de resíduos, para a diminuição de emissões de CO2 e para a racionalização de água, energia e papel são ações efetivas no dia-a-dia do Grupo.
Quanto à racionalização da comunicação em suporte de papel, o BES tem desenvolvido projetos no sentido da redução do consumo de papel, algumas das principais medidas referem-se à definição de novas regras e periodicidade de emissão para a redução do consumo de papel que se carcterizam, para além das ações de sensibilização, pela de diversas medidas como a implementação do processo de digitalização de documentos, a promoção da reutilização de papel, a impressão de documentos em dupla face e a adesão dos colaboradores ao extracto digital. Além disso, No ano de 2008, o BES realizou uma campanha para incentivar os seus clientes e colaboradores à aderirem ao extrato digital, assumindo o compromisso de plantar uma árvore por cada adesão.
Já no que tange os resíduos, o Grupo implementou a recolha seletiva dos seus resíduos mais relevantes, como os consumíveis de informática; o papel e cartão e o vidro (dos refeitórios). Para os dois primeiros, foram estabelecidos contratos com empresas especializadas para a recolha e envio para reciclagem. Ademais, o BES vem promovendo a sensibilização interna através da divulgação de mensagens para garantir a correta separação do papel para posterior envio para reciclagem. Os tinteiros e toners são encaminhados para reciclagem através de um protocolo assinado com uma empresa que assegura a recolha e o encaminhamento para entidades devidamente autorizadas pela sua gestão.
Além disso, o Grupo ainda tem estabelecida uma política de viagens, onde pretende contribuir para a redução do impacto das emissões de gases com efeito de estufa. Esta política define prioridades para a utilização dos meios disponíveis, estando os mesmos na seguinte ordem: primeiramente vídeoconferência; transporte público, viaturas do Grupo BES e, por último, o transporte aéreo.
Já para 2010, o BES pretende fazer parte do Carbon Disclosure Project (CDP), que é um projeto através do qual os investidores institucionais podem ter mais um elemento que permite avaliar as empresas. Com isto, os investidores tem desafiado as grandes empresas em nível mundial a medir e moderar as suas emissões de carbono, integrando o valor e custo a longo prazo das alterações climáticas na avaliação do desempenho financeiro e perspectivas futuras do negócio.
Ainda no âmbito da política ambiental do Grupo, foram definidas algumas medidas que visam uma maior eficiência na utilização de recursos. Para o alcance dos objetivos propostos, estão programadas ações de sensibilização para os colaboradores relativamente ao consumo de água e energia, para o inicio de 2009. Dentre estas, pode-se destacar a redução do consumo de energia elétrica através da utilização de equipamentos mais eficientes e de atitudes mais responsáveis, como a utilização de lâmpadas de baixo consumo; a redução do tempo de funcionamento do ar condicionado; a programação das luzes dos edifícios para desligarem no final do expediente; dentre outros.
3.2.2. Soluções externas para a Preservação Ambiental
A linha de crédito que entregará o prêmio BES Biodiversidade está entre as ações externas voltadas à preservação. O prêmio será alternado todos os anos dentro das temáticas “Biodiversidade e Investigacao” e “Biodiversidade e Empresas” e o seu objetivo é a premiação e o apoio à projetos e iniciativas inovadoras de investigação, conservação e gestão da diversidade biológica portuguesa, estabelecendo a maior distinção nacional para trabalhos de investigação e de atividade empresarial em conservação ambiental.
Há também a parceria BES - Herdade da Poupa, integrada na Rede Natura 2000 e no Parque Natural do Tejo Internacional - Beira Baixa, que tem como intuito a preservação de espécies ameaçadas, o reflorestamento e a preservação de habitats com espécies de flora autóctone. Esse apoio, em 2008, contribuiu para a manutenção do montado de azinho e vegetação necessária para a alimentação das espécies da Herdade.
Além desta, foi estabelecida a parceria BES - GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente) no intuito de apoiar o Centro Ecológico Educativo do Paul de Tornada, um local privilegiado para a prática da Educação Ambiental e sensibilização para a conservação das zonas úmidas. O protocolo estabelecido ainda se traduz na elaboração de um “Plano para a Conservação do Sitio Ramsar do Paul de Tornada”, que inclui a identificação e caracterização biofísica destes sistemas aquáticos e o desenvolvimento de ações que contribuam para a promoção e conservação dos mesmos, além da prevenção de novos impactos ambientais negativos. Esta parceria objetiva a contribuição para alcance do objetivo europeu de reduzir a taxa de perda de biodiversidade até o ano de 2010.
Uma outra parceria interessante foi a realizada com a João Lagos Sport, para tornar a edição de 2008 do torneio Estoril Open ambientalmente responsável. O lema desta edição foi “Estoril Open Mais Verde” e abordou as vertentes ‘Sensibilização’ e ‘Racionalização de consumos’. Uma das ações de sensibilização consistiu no plantio de uma árvore por cada winner marcado no torneio masculino, em uma zona que, em 2007, foi devastada pelos incêndios de Verão; na projeção de mensagens de sensibilização ambiental por todo o recinto do torneio; na neutralização de 15 toneladas de emissões de CO2 associadas às atividades do recinto do torneio, durante todo o evento; na disposição de ecopontos onde os visitantes podiam separar os resíduos recicláveis e orgânicos; na substituição das lâmpadas convencionais por lâmpadas de baixo consumo na tenda VIP; dentre outras.
Por fim, o BES também trabalha para a divulgação da sustentabilidade. Dentre as ações, pode-se destacar o programa ‘Futuro Sustentável’, onde foram realizadas ações no intuito de colocar a sustentabilidade na agenda nacional. Foi criado um espaço de comunicação e visibilidade para o tema, contribuindo com iniciativas próprias e criadoras de valor, de modo a acelerar a sensibilização para o desenvolvimento sustentável em Portugal. A edição de 2008 teve como principais marcos, o Workshop na Universidade Católica Portuguesa sobre o tema “A Energia e Sustentabilidade”; o almoço/conferência com a participação de Bob Geldof, subjacente ao tema: “Making a difference”; a conferência “A Economia Social, o Terceiro Sector” e, por fim, a conferência “Oportunidades de Negócio da Biodiversidade”, onde foi lançado o livro “Ganhar com a Biodiversidade – Oportunidades de Negócio em Portugal”, que fala da biodiversidade focando simultaneamente os riscos associados a sua perda, bem como as oportunidades de negócio que ela gera.
O BES também promoveu um encontro com ONGA’s para a apresentação das ações desenvolvidas pelo BES em nível ambiental; para a consulta aos presentes sobre a avaliação dessas ações e propostas de novas iniciativas e para a auscultação de serviços financeiros que as ONGA’s necessitam para desenvolver a sua atividade.
4. Resultados obtidos ao nível do DS
O resultado deste grande esforço pode ser resumido pelo merecido reconhecimento em nível nacional e global que o Grupo tem tido. Como exemplos, podem ser citados:
· O prêmio “Banco do Planeta 2009” (SUG. nota com breve explicação-
· A reputação no índice FTSE4Good, refletindo o reconhecimento internacional das boas práticas que o BES tem implementado no âmbito do desenvolvimento sustentável;
· A melhor classificação no Accountability Rating Portugal 2008SUG. nota com breve explicação-
· O 1º lugar no Índice ACGE de Responsabilidade ClimáticaSUG. nota com breve explicação-
· A Menção Honrosa do GRI Readers’ Choice AwardsSUG. nota com breve explicação-
Além disso, o Grupo BES foi o merecedor do Prêmio Desenvolvimento Sustentável 2009, oferecido pela Heidrick & Struggles em parceria com o Diário Econômico e com o BCSD Portugal. Esse prêmio tem como objetivo identificar e reconhecer as melhores práticas nacionais na área do desenvolvimento sustentável. As candidaturas foram analisadas por um Advisory Board que integrou o setor empresarial e o mundo acadêmico, do qual fizem parte entre outros, Vasco de Mello e Luís Rochartre, presidente e secretário-geral do BCSD Portugal.
5. Benefícios para a Organização
Segundo o presidente da Comissão Executiva do BES, Ricardo Espírito Santo Silva Salgado, para as instituições financeiras é fundamental reforçar a relação com os seus Stakeholders, principalmente em épocas de recessão, nas quais é necessário encontrar meio de minimizar os efeitos da crise, na procura de soluções que promovam o restabelecimento dos níveis de confiança essenciais ao normal funcionamento da economia.
Deste modo, Salgado vê na estratégia e nos compromissos assumidos pelo BES, no âmbito do desenvolvimento sustentável, um contributo ativo para reforçar essa relação de confiança, concretizada na percepção dos clientes, que permitem a evolução do Banco nas principais áreas de negócio; na confiança dos accionistas, na condição de sucesso do projeto empresarial Grupo BES e na participação e empenho de todos os colaboradores, indispensáveis para a afirmação da marca no mercado e determinantes para o progresso do Grupo.
6. Referências Bibliográficas
BCSD PORTUGAL. Prémios Desenvolvimento Sustentável 2009. Disponível em: <http://www.bcsdportugal.org/content/index.php?action>. Acesso em: 23 outubro 2009.
BCSD PORTUGAL. BES 2008. Disponível em: <http://www.bcsdportugal.org/content/index.php?action>. Acesso em: 23 outubro 2009.
COMENTÁRIO GERAL: Uma boa escolha e uma boa análise, respondendo ao que era pedido no trabalho 1-